50 anos de ”Who’s Next”: A obra prima do The Who.

O The Who é uma das bandas mais interessantes de todos os tempos. Dos grandes medalhões da década de 60, eles foram os que mais souberam fazer com excelência a transição sonora daquela década para os anos 70. Eles foram alcançando um nível de composição muito alto ao longo dos anos e hoje chegou a hora de falar sobre seu disco mais popular que está completando exatos 50 anos, estou falando de ”Who’s Next”!


Vamos falar um pouco sobre o que estava rolando na banda até então. O ano é 1969, o The Who lança grande ópera rock ”Tommy” um disco conceitual fantástico, com uma história muito intrigante e um conteúdo musical perfeito. E como sabemos é muito difícil dar um passo além quando se chega num nível tão elevado dentro da discografia e o The Who precisava ter cautela, a década viraria, o Rock mudaria drasticamente, o Led Zeppelin estrearia com um som super revolucionário etc.

Embalados por um disco primoroso como o Tommy, o The Who lançou em 1970 um dos maiores discos ao vivo de todos os tempos, o ”Live At Leeds” e em 1971, Pete Townshend começou a bolar um novo conceito para idealizar um novo disco conceitual, novamente uma nova ópera rock, chamada ”LifeHouse”. Ele apostaria em um conteúdo musical complexo, com o uso de novos instrumentos, novos equipamentos eletrônicos que aliados ao conceito do disco, conversaria com o público de uma maneira meio que futurista, bom já deu para imaginar né? A ideia acabou se perdendo dentro da cabeça genial de Pete, era muito conceito de uma vez e às vezes a loucura toma conta dessa ideia.

A partir daí a banda precisou fazer uma pequena correção de curso, a ideia conceitual seria descartada por completo, com exceção da utilização das músicas já compostas. O disco seria um trabalho de Rock N’ Roll genuíno direto ao assunto, com muita energia e muita inspiração nas composições. Como a banda estava embalada dentro da discografia e vinham de uma crescente a pergunta óbvia seria ”Qual o próximo?” com relação ao próximo disco, e foi dai que veio a ideia para o título ”Who’s Next?”, o resto é história.

O ”Who’s Next” seria um disco divisor de águas em termos de sonoridade e identidade para o The Who, enquanto o ”Tommy” tem toda a estética da década de 60, o ”Who’s Next” tem uma vibe total anos 70, de uma banda de Hard Rock pura e com uma pressão muito forte na produção. A maioria das músicas dele se tornariam clássicos da história do Rock e ditariam muita coisa que aconteceria no Rock da década de 70.

Vamos falar um pouco sobre as músicas, ”Baba O’Riley”, vamos começar pegando pesado, a música de abertura é simplesmente mágica, o seu título seria uma homenagem ao guru de Pet Townshend, Meher Baba, e o compositor minimalista Terry Riley. A música abre com um sintetizador maluco, com efeitos psicodélicos e experimentais, em seguida um piano marcante entra e cria uma expectativa, e depois a banda chega com tudo. Um destaque para Roger Daltrey que faz uma perfomance arrebatadora nos vocais não só nessa música mas em todo o disco, ele certamente estava no auge. O trabalho de guitarra de Pete também é genial. ”Bargain”, é outra grande música desse disco, um vocal furioso de Roger Daltrey e um trabalho de bateria perfeito de Keith Moon, o solo que ele faz é coisa de outro mundo, fantástico.

”Love Ain’t For Keeping”, é a mais curta do disco mas também merece destaque, excelente. ”My Wife”, é uma música composta e cantada por John Entwistle, a letra fala sobre conflitos com sua esposa, talvez seja a minha favorita do disco. ”The Song Is Over”, é uma das mais emocionantes do disco, uma faixa épica e deslumbrante, assim como ”Getting In Tune”. Já ”Going Mobile” é muito divertida e cativante, impossível não gostar. ”Behind Blue Eyes”, é uma das maiores baladas de todos os tempos, uma música intimista para os padrões do The Who e muito bem composta. O disco fecha com a épica ”Won’t Get Fooled Again”, um dos maiores riffs de guitarra da história, uma faixa única, complexa e que define muito bem oque é o The Who, extremamente emblemática.

O ”Who’s Next” proporcionou um sucesso imediato ao lançamento do disco em 1971, ele elevou ainda mais o status da banda, em qualquer lista se encontra em altas posições e frequentemente é citado como um dos maiores discos de todos os tempos, coisa que eu assino em baixo. Foi um trabalho extremamente importante não só para a banda mas para todo o cenário do Rock na época. O disco simplesmente fala por si só, é uma obra prima! Fica a nossa homenagem e recomendação!

Autor: Neto Rocha

23 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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