”Letter To You”: O novo e bom disco de Bruce Springsteen.

Hoje saiu o novo disco do ”Boss”, Bruce Springsteen. Um dos poucos lançamentos esperados pra esse ano caótico de 2020 está entre nós. O álbum gerou uma boa expectativa dos fãs do Bruce por marcar a volta da E-Street Band, o Entre Acordes já ouviu e preparou uma resenha dele para vocês no nosso site!

Este é o vigésimo disco de Bruce Springsteen, o primeiro com a E-Street Band desde 2014 com High Hopes que é um bom disco. Ainda no ano passado, Bruce reuniu seus colegas de banda para 5 dias de gravação e rapidamente terminou a produção do disco, foi assim, de maneira despretenciosa e menos pensada, muitas vezes isso da resultado, ainda mais nos dias de hoje que a superprodução não necessariamente resulta em um grande trabalho.

O que eu curti nesse novo disco do Bruce, é a produção, ele foi gravado ao vivo no estúdio e eu adoro quando os artistas fazem isso e sem overdubs, a produção dos instrumentos me agradam bastante e apesar de soarem atuais, ele não nos remete a uma sonoridade artificial que grande parte dos artistas fazem hoje.

Apesar de ter sido gravado despretenciosamente, o disco ainda possui uma vibe meio épica, mas com controle e só em alguns momentos, eu diria que ele anda um pouco na linha do ”The Rising” de 2002 e acredite, ele chega a lembrar o clássico ”The River” de 1980 em músicas como ”Janey Needs A Shooter” composta em 1973 e ”Ghosts”, duas faixas com a cara da E-Street Band, composições muito boas mesmo e que me animaram bastante durante a audição, acredito que essas duas podem muito bem compor o setlist da nova turnê do ”Boss”. O disco possui 12 faixas em 58 minutos e apesar de não ser curto, ele flui muito rapidamente, realmente vale a pena.

Um turnê seria feita para divulgação do disco no início de 2021 mas foi adiada por conta da pandemia do COVID-19, o que nos resta é ouvir esse belo disco e esperar por essa turnê que tem tudo para ser muito bacana. Bruce também anunciou um filme com as sessões de gravação desse disco. Fica a recomendação, ”Letter To You” de Bruce Springsteen!

Entre Acordes Podcast: A Revolução de Eddie Van Halen (Com Biofá) (Ep. 13)

Este é o Podcast oficial do Blog Entre Acordes! Nesse episódio nós batemos um papo sobre a vida e obra de Eddie Van Halen que nos deixou recentemente. Para tal tema extraordinário, nós convidamos o grande Biofá, do canal Alta Fidelidade. Siga o nosso site para receber conteúdo sobre música, busque por entreacordes.blog e nos siga também no Instagram/Facebook: @entreacordes.blog. Twitter: @EntreAcordes0 e Youtube: EntreAcordes.

40 anos de ”The River”: O auge criativo de Bruce Springsteen.

A discografia do ”Boss” rendeu muitos clássicos que entraram para a história da música pop, com muitos discos impecáveis que resultaram em uma sonoridade autoral e bastante característica da E-Street Band. No dia 17 de Outubro de 1980, há precisos 40 anos, o Bruce lançou o disco mais grandioso da sua carreira, o The River. Vamos falar um pouco sobre ele e analisar o contexto em que ele foi lançado.

Rock Legend Bruce Springsteen performs in concert
Clarence (Big Man) e Bruce Springsteen na turnê de divulgação do disco The River.

O Bruce Springsteen vinha numa crescente fantástica lapidando o seu som aos poucos, em 1975 ele havia estourado com o Born To Run, o disco que definiu a sua sonoridade, 3 anos depois em 1978 ele lançou outro ótimo trabalho, o ”Darkness In The Edge Of Town”. No ano de 1980, Bruce entrou em estúdio para gravar um novo trabalho, um disco mais ambicioso e até conceitual por assim dizer, com algumas sobras do disco anterior, Springsteen compilou algumas canções arquivadas com novas composições, desta vez o disco teria um teor mais maduro, com letras mais sérias e questionamentos pessoais.

À princípio, o The River seria um disco simples, mas Bruce insistiu para que o disco passasse a ser duplo com uma ordem mais trabalhada, consequentemente carregando uma vibe mais pretenciosa, que deu certo na minha opinião. Tanto que o disco foi um sucesso comercial, alcançando o número 1 da Billboard no Reino Unido, fato inédito na carreira do Bruce Springsteen. Ainda rendeu uma turnê enorme com shows muito grandiosos de aproximadamente 4 horas de duração.

Falando um poucos das músicas, temos logo na abertura ”The Ties That Bind”, uma pedrada de Rock N Roll, muito animada, enérgica, avassaladora e fantástica, ela era uma das sobras do ”Darkness In The Edge Of Town” que incrivelmente ficou de fora, sem dúvida uma das melhores músicas da carreira do Boss. ”Sherry Darling’, a segunda, também é maravilhosa, muito animada, eu adoro a vibe ao vivo dela. ”Independence Day”, é uma balada bem pessoal com uma melancolia agradável. Já ”Hungry Heart”, é bastante pra cima em sua sonoridade, seria uma música meio autobiográfica por acidente, de Bruce, ela foi o primeiro single pop dele entre os 10 maiores das paradas e como curiosidade, a música quase foi entregue para os Ramones, mas seu empresário o convenceu de não fazer isso. ”You Can Look (But You  Better Not Touch)”, é uma pedrada no estilo de ”The Ties That Bind”, muito animada e dançante. ”I Wanna Marry You”, é uma balada de amor meio Country bem intimista, um grande destaque menos conhecido do disco. A faixa título ”The River” é uma das grandes músicas da carreira do Bruce, uma balada bem agradável e de bom gosto que ilustra bem esse amadurecimento dele.

De considerações finais, o The River representa o auge criativo de Bruce Springsteen, é um trabalho muito maduro, pretencioso, grandioso e certeiro. Ele foi um disco de amadurecimento artístico e entrou para a história como um dos maiores lançamentos do ano de 1980. Vamos celebrar os 40 anos deste clássico!

The River

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50 anos de ”Led Zeppelin III”: Um passo mais corajoso do Led Zeppelin.

A perfeita discografia do Led Zeppelin faz apenas render-nos em elogios, seus discos apesar de parecidos não são de forma alguma mais do mesmo e em cada um deles a banda teve um cuidado excepcional imprimindo um hit atrás do outro, coisa que apenas os grandes nomes da história do Rock tiveram o talento suficiente para exercer. Um dos maiores discos da carreira da banda está completando 50 anos no dia de hoje, estou falando do GRANDE Led Zeppelin III.

Led Zeppelin 1970

Após estrear com o pé na porta no ano de 1969, com dois grandes lançamentos (Led Zeppelin I e II), a banda se viu muito inspirada e numa crescente arrebatadora para começar a trabalhar no seu terceiro disco de carreira. Desta vez, o blues e o rock clássico diminuiría a sua parcela de contribuição e daria mais lugar á música Folk resultando num trabalho um pouco mais experimental e conceitual, com o Lado A mais elétrico e o Lado B mais Folk e acústico. Para colaborar em tal inspiração a banda gravaria o disco numa casa de campo e para absorver essa nova vibe, eles encontrariam um ambiente sem energia elétrica bem diferente do conforto de suas casas.

O disco abre com ”Immigrant Song”, um riff matador lembrando que o Hard Rock não foi deixado de lado por completo, uma faixa ”porrada” até o último segundo. Tenho certeza que essa levada (federal) do baixo influenciou muita gente do metal posteriormente, um verdadeiro petardo de Rock N’ Roll na sua cabeça. ”Friends” é uma faixa densa com características bastante sombrias revelando uma nova faceta da banda, ”Celebration Day”, uma faixa frenética e maravilhosa, uma paulada com riffs de guitarra matadores, Jimmy Page fez o trabalho mais refinado neste disco em comparação aos dois primeiros, ”Since I’ve Be Loving You’‘, a faixa mais longa do disco com mais de 7 minutos de duração, minha favorita de toda a carreira da banda, o som de bateria é muito inovador e os ”micro solos” que o John Bonham faz no decorrer da música são geniais. Outra coisa genial é o trabalho de guitarra de Jimmy Page, a faixa carrega um solo de guitarra praticamente do início ao fim, o lirismo da junção dos instrumentos à maneira como Robert Plant desempenha os versos é magico. Um verdadeiro épico. ”Tangerine”, composta ainda em 1968, é uma balada lindíssima que se encontra no final do lado B, que faixa magnífica, leve, majestosa e linda, uma das grandes baladas da banda.

O disco foi um dos mais esperados do ano de 1970 e apesar das críticas variadas devida á brusca mudança sonora da banda, ele foi bem recebido pelo público em geral, alcançando o topo das paradas em várias partes do mundo. Eu acredito que o único defeito que envolve o ”Led Zeppelin III” seja a a capa, apesar de eu não achar ela muito bonita ela ilustra muito bem o conteúdo experimental do disco.

”Led Zeppelin III” é um trabalho ousado da banda, apesar de conter hits, é bastante experimental e corajoso, a banda teve muita sensibilidade para absorver uma ideia que saía da linha dos dois primeiros discos apontando para algo um pouco mais lírico, abrangendo outras culturas, felizmente foi uma aposta que deu certo e resultou num dos melhores discos da banda e um dos maiores discos de todos os tempos! Fica a homenagem nos 50 anos deste clássico!

Led Zeppelin 3

 

Entre Acordes Podcast: Grandes Discos de 1980 (Ep. 12)

Este é o Podcast oficial do Blog Entre Acordes! Nesse episódio nós batemos um papo sobre alguns dos melhores discos lançados no ano de 1980. Siga o nosso site para receber conteúdo sobre música, busque por entreacordes.blog e nos siga também no Instagram/Facebook: @entreacordes.blog. Twitter: @EntreAcordes0 e Youtube: EntreAcordes.

45 anos de “Minas”: A obra prima de Milton Nascimento.

 Milton Nascimento entra na década de 1970 com uma explosão de criatividade, seu quarto disco de carreira, lançado em 1970, o “Milton”, conta com o apoio do Som Imaginário, na época composto por Wagner Tiso, Tavito, Zé Rodrix, Frederyko, Luiz Alves e Robertinho Silva. Em 1972, em parceria com Lô Borges, lança o ‘’Clube da Esquina’’, talvez o disco mais conhecido de sua carreira. O álbum contou mais uma vez com o Som Imaginário, Beto Guedes, Toninho Horta e ainda a participação de Gonzaguinha. O disco é sempre listado como um dos melhores da música brasileira.

   Ainda com o Som Imaginário, Milton lança mais dois discos, o ‘’Milagre dos Peixes’’ e o ‘’Milagre dos peixes Ao vivo’’. Em ambos os disco, Milton teve algumas composições vetadas pela censura, porém Milton decide prosseguir com o projeto. No ‘’Milagre dos peixes Ao vivo’’ Entra algumas composições novas, onde houve censura, Milton e sua banda pegam pesado entre experimentações vocais e um instrumental que até hoje dá uma aura mística ao disco.   

   Bituca parecia ter chegado ao ápice de sua criatividade, mas é ai que você se engana, é em 1975, depois de todas essas perolas da música brasileira, que Milton lança sua obra prima o ‘’Minas’’. Com a participação de seus amigos e parceiros Lô Borges, Beto Guedes,, Wagner Tiso, Toninho Horta e Fernando Brant, Milton vem com  um  disco  com uma esfera melódica e repleta de simbologia religiosa, coisa presente em quase toda a obra do cantor.

   A capa do disco traz o rosto de Milton Nascimento em um enquadramento de plano detalhe, exaltando um Milton afro-brasileiro e suas raízes negras. A foto foi do fotografo Cafi e do diretor de arte Noguchi. O encarte trazia uma serra de três pontas com um sol acima e um trenzinho passando embaixo, curiosamente esse desenho do encarte se tornou a capa do disco seguinte do cantor, o ‘’Gerais’’.

O encarte ainda possuía a seguinte frase: ‘’O disco é dedicado a todas as pessoas que ajudaram e pro Rúbeo, um menino que juntou as sílabas do meu nome e descobriu o título’’. Rúbeo era um garoto do coral que participou em algumas músicas, nele o garoto indica ao Milton que junte as primeiras sílabas de seu nome e desse nome ao álbum, pois a junção formava a palavra ‘MiNas’’. Fantástico.

   O álbum começa com uma música instrumental,  ‘’Minas/Paula e Bebeto’’, composta coro  infantil e com Milton usando sua voz em forma de instrumento mostrando que aquilo ali não era brincadeira. Seguindo, vem talvez, a música mais conhecida da obra, ‘’Fé cega, Faca amolada’’, com uma letra que travada de fé e força, a música era bastante contundente para os dias de ditadura, a faixa conta com a participação vocal de Beto Guedes.

   O ‘’Minas’’ traz bastante à tona as vivencias e memorias do seu autor, isso fica evidente na faixa ‘’Beijo partido’’, ‘’Gran Circo’’ e ‘’Saudades dos aviões de Panair (Conversa no bar)’’, a última citada mostra Milton em um vocal saudoso e ao fundo um misto de vozes entre cantos e experimentação vocal. A música já tinha sido lançado um anos antes no discos ‘’Elis’’ da cantora Elis Regina dando grande notoriedade a música.  Elis gravou também em seu disco de 1974, anterior ao ‘’Minas’’ a música ‘’Ponta de areia’’, musica esse que ficou bem conhecida tanto  na carreira de Bituca como na de Elis. Mais uma vez, essa canção transporta o ouvinte  para uma esfera de lembranças, uma imagem saudosista.

   ‘’Trastevere’’ vem com um som bem pesado, Milton e sua banda bombardeia com um arranjo que remete ao barulho de agonia de uma cidade grande, não é à toa, o arranjo faz simbiose com a letra da música. A letra conta a história de uma criança e suas agonias ao se deparar com uma metrópole. ‘’Idolatrada’’ e ‘’Leila (venha ser feliz)’’ leva a sentimentos e sensações de evolução, de uma passagem ou mudança de ciclo, sem falar nos arranjos que vai do rock ao jazz, passando pela  música regional mineira.

    ‘’Qualquer maneira de amor vale a pena’’ Frase de Caetano Veloso para a melodia da décima faixa do ‘’Minas’’, ‘’Paula e Bebeto’’, a parceria de Milton Nascimento com Caetano Veloso, essas parcerias são raras, mas bela, e quando acontece da no que deu, ‘’Paula e Bebeto foi uma das músicas mais regravada da carreira de Bituca.

   A viagem do ‘’Minas’’ começa a chegar em suas faixas derradeiras, ‘’Simples’’, antepenúltima música, aparece com uma bagagem explicita de jazz e rock progressivo, o próprio disco ‘’Minas’’ é considerado um álbum de progressivo, mentira não é. Milton ainda abrilhanta o disco com um belíssimo couver de Beatles, ‘’Norwegian Wood (This Bird has Flown)’’, música do Rubber Soul da banda britânica lançada em 1965. Dez anos depois, Milton dá uma roupagem totalmente diferente da original, chegando a dar vida própria ao couver, Beatles  à lá Milton Nascimento. ‘’Caso você queira Saber’’ encerra o disco ‘’Minas’’, tanto ela quanto a anterior contam com a participação de Beto Guedes nos vocais. A última faixa soa como uma assinatura de Milton nascimento, confirmando toda a narrativa do disco desde a primeira faixa.

   Milton Nascimento conseguiu no ‘’Minas’’ ser mineiro, brasileiro, jazzista, regional, chegando até ser progressivo, com muita originalidade, uma banda que está mais para um Super Grupo, além de uma singularidade que é própria do cantor. O ‘’Minas’’ não é apenas o melhor álbum da carreira de Milton Nascimento, é também um dos melhores da música brasileira.