55 anos de ”Revolver”: A inspirada psicodelia dos Beatles.

Os Beatles sempre recebem uma atenção mais do que especial aqui no Entre Acordes, afinal a maior banda de todos os tempos merece todos os louros que tem. Hoje é um dia que eu acredito que agradará todos os leitores do blog, já que completa-se exatos 55 anos do lançamento de um dos discos mais aclamados pelos grandes fãs da banda, o maravilhoso ”Revolver”!

Como já conversamos aqui no ano passado, os Beatles haviam lançado o Rubber Soul, um disco divisor de águas dentro da discografia da banda que passou a focar mais em desenvolver sua sonoridade em estúdio e enveredar cada vez mais para um trabalho conceitual fechado de cabo a rabo e quando você pega músicos desse nível de talento e desenvolve esse lado de composição, o resultado pode ser estratosférico e foi isso o que aconteceu com eles.

Em 1966 muita coisa aconteceu, os Beach Boys lançaram o ”Pet Sounds”, o Dylan lançou ”Blonde On Blonde” e muitos outros artistas atingiram seu ápice nessa época. O fato do psicodelismo estar entrando em ascensão, influenciou quase todo mundo desse período e com os Beatles não foi diferente. Então pode se esperar instrumentos excêntricos como o tambura e tabla indianos, e clavicórdio.

Não só as tendências musicais influenciariam os Beatles, mas também suas experiências com a droga LSD e seus interesses pela cultura oriental também influenciaram diretamente as músicas do ”Revolver”. Ele faz um balanço entre músicas ”diretas ao ponto”, todas com pouco mais de 2 minutos de duração junto à uma experimentação muito louca e inventividade dentro do estúdio, coisas que seriam levados à últimas consequências em seu próximo disco o ”Sgt Peppers” mas essa história fica para depois. Outro ponto importante sobre a produção é o fato de ser disco que a banda passou mais tempo em estúdio até então.

O nome do disco seria um trocadilho com um Revolver, o movimento giratório da arma seria como se fosse o disco rodando na vitrola, bom vocês leram um pouco antes sobre qual eram os interesses da banda na época né? Então da pra entender a maluquisse.

Falando um pouco sobre as músicas elas soam completamente diferente desde seu último disco, o ”Rubber Soul” por conta de ”maracutaias” de gravação em estúdio e adaptação dos instrumentos e mixagens para conseguir imprimir uma sonoridade mais psicodélica. As músicas em geral não falam sobre amor coisa que sempre foi pauta na discografia da banda até então.

O disco abre com ”Taxman”, George Harrison já começa a mostrar que daria trabalho para os outros Beatles, chegando com um material muito bom em maior quantidade já em 1966. Uma música que falava sobre os impostos da Inglaterra que eram altíssimos naquela época. Em seguida, ”Eleanor Rigby” é um épico de Paul McCartney, que fala muito sobre a solidão e é uma ruptura com o estilo que ele vinha compondo até então. O nome foi inspirado numa lápide de um cemitério que Paul costumava a passar quando jovem, o nome ficou na memória e foi usado na música. ”I’m Only Sleeping” é minha música favorita do disco, é uma música sobre o John Lennon e sua rotina de dormir bastante, apesar de não ter uma letra especial, é uma composição muito única, com uma vibe quase que sobrenatural, lindíssima. Outra balada especial é “Here, There and Everywhere” de McCartney, ela foi inspirada em ”God Only Knows” dos Beach Boys , que de acordo com o próprio Macca é a música de amor mais linda de todos os tempos!

”Yellow Submarine” muito provavelmente é a música mais popular desse disco, um verdadeiro hit na voz do Ringão que merece muito o destaque, grande música. Apesar de muito boa ela não tem nenhuma letra bem pensada e tal. Outra faixa que eu amo é ”She Said She Said”, uma música muito boa, uma das mais enérgicas de todo o disco, fantástica. Dos destaques do lado B temos ”Good Day Sunshine”, uma música bem tradicional no estilo da banda e também excepcional, inspirada pelo verão inglês, é outra grande composição do Macca! “And Your Bird Can Sing” é uma das faixas mais ”Rock N’ Roll” compostas pela banda, uma música com uma sonoridade um pouco mais agressiva, e um riff de guitarra forte. ”For No One” é bem melancólica e fala sobre o relacionamento de Paul McCartney com Jane Asher. ”Tomorrow Never Knows” fecha do disco de uma maneira épica, para quem fala que o Ringo não toca nada, pode ver que ele faz um trabalho espetacular nessa faixa, uma linha de bateria muito grandiosa e efeitos psicodélicos que dão um ar muito especial para ela. Frequentemente é citada como a melhor composição da banda.

”Revolver” é praticamente o disco mais idolatrado pelos fãs mais entendidos dos Beatles. Apesar de não concordar 100% com essa ideia, eu a entendo perfeitamente, o disco é de fato uma obra artística de valor inestimável da maior banda de todos os tempos que ainda conseguiu fazer outras grandes obras primas! Só uma banda como os Beatles para em 1966 fazer um disco tão diferente, corajoso e inspirado como o ”Revolver”. Foi um passo que mudou totalmente a cara da banda na segunda metade da década de 60 e balançou os rumos musicais da época! Fica a grande homenagem no dia de hoje!

Autor: Neto Rocha

23 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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