45 anos de ”Station To Station”: David Bowie num estado emocional crítico.

Se você perguntar para um grupo de 10 pessoas qual o disco favorito delas em relação ao David Bowie, você corre o risco de receber 10 respostas diferentes. O nosso ”camaleão” trabalho muito e com precisão durante seus 50 anos de carreira, passando por diversas fases completamente distintas entre si. Hoje, o meu disco favorito da sua carreira, e um dos favoritos da vida, está completando exatos 45 anos! Vamos celebrar e comentar um pouco sobre ”Station To Station”!

Para contextualizar o lançamento desse disco, a gente precisa pontuar algumas coisas. Bom, a gente sabe que as fases de David Bowie são muito bem representadas por seus personagens, neste disco, Bowie adotou o personagem chamado ”Thin White Duke”, ele foi descrito como um ”aristocrata louco”, que também foi inspirado visualmente no seu personagem interpretado no filme ”The Man Who Fell to Earth” que ele havia participado em 1975. Como curiosidade, a capa do Station To Station é um corte de uma cena do filme citado.

Além da parte visual, é interessante abordar também o estado emocional de Bowie na época, que estava em frangalhos, passava por um momento bastante delicado no seu relacionamento da época, resultando no seu ápice de dependência das drogas como álcool e cocaína, tanto que ele dizia não se lembrar bem das sessões de gravação do disco. A dieta de Bowie nessa época se resumia apenas em pimenta, cocaína e leite.

Musicalmente falando, Bowie vinha do fantástico ”Young Americans” lançado em 1975, seu disco mais Soul/Funk sem muitas pretensões eu diria, mas ainda assim, incrível. E no ano de 1976, ele lançou o nosso homenageado de hoje, o ”Station To Station”, um caminho natural desde seu último disco, aqui ele ainda mergulha em pitadas do Soul, Funk e Pop, mas agora eu acredito que apesar de estar debilitado emocionalmente, ele conseguiu fazer um disco mais ”refinado” e elaborado que o anterior, com alguns sutis elementos eletrônicos que explorou com abundância na sua trilogia de Berlim que veio logo a seguir.

Falando um pouco das 6 músicas desse disco, ele abre com a própria ”Station To Station”, um verdadeiro épico espacial, chega ser até indefinível musicalmente, talvez um Rock/Soul, é uma verdadeira Switch com diversas passagens e momentos distintos, fantástica. ”Golden Years”, um soul/funk de primeira categoria, aparentemente é a faixa menos ”chapada” do disco, além de ser uma das mais acessíveis, a letra gira em torno de oportunidades perdidas. “Word on a Wing”, é uma faixa climática que fala sobre o amor, a mais lírica do disco, “TVC 15”, já é a mais descontraída e divertida, logo quando a ouço, lembro diretamente da entrada de Bowie no palco do Live Aid logo após o Queen em 1985, ”Stay”, é uma faixa que espelha bastante o Soul mas a guitarra de Carlos Alomar está mais Rock N Roll do que nunca e ”Wild is The Wind”, fecha o disco de uma maneira melancólica nos mostrando o quão rápido essas 6 músicas passaram e fizeram do disco perfeito e bem acabado.

Eu diria que ”Station To Station” é um disco não muito óbvio, apesar de ser acessível, ele parece esconder um pouco o jogo e não define claramente seu conceito, e eu gosto disso, ele transmite uma vibe de suspense para o ouvinte que tenta captar algo. Eu diria que ele é um disco onde o personagem ”Thin White Duke” está apenas cantando sobre temas gerais que tenha o afligido em algum momento. Havendo um conceito ou não, continua sendo um dos melhores discos de todos os tempos, foi a transição perfeita dentro da discografia de Bowie e está facilmente localizado dentro dos 10 discos da minha vida! Ouçam e o celebrem nos 45 anos de seu lançamento!

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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