50 anos de ”Plastic Ono Band”: Um dos discos mais viscerais da história, com John Lennon.

Qual o disco mais visceral ou cru que você já ouviu na sua vida? Existem vários exemplos de trabalhos bem particulares que foram uma verdadeira obra tirada da alma dos artistas, são discos que se destacam em qualquer discografia e marcam as nossas vidas, hoje um dos maiores e mais viscerais discos de todos os tempos está completando exatos 50 anos, ”Plastic Ono Band”, do gênio John Lennon.

Após a separação da banda, todos estavam desesperançosos e tristes com o fim do sonho, mas era inevitável, o talento de cada um crescia e se desenvolvia cada vez mais, ao mesmo tempo que o ego também, as brigas eram inevitáveis e o mais lógico seria cada um deles seguir sua própria carreira solo e colocar pra fora tudo aquilo que os sufocava, e foi isso que John Lennon fez em Plastic Ono Band.

John Lennon formou a banda com ele na guitarra, Klaus Voormann no baixo, Phil Spector e Billy Preston se revezando no piano e Ringo Starr na bateria, que por sinal é um dos grandes destaques do disco, apesar de não possuir nenhum trabalho fenomenal de bateria no disco, o som de bateria é coisa de outro mundo, o som perfeito.

O disco abre com nada mais nada menos que ”Mother’‘, uma música muito corajosa e forte, nos primeiros segundos, escutamos um sino quase que fúnebre bem distante e seco, em seguida, John Lennon cantas as primeiras palavras com muita verdade e alma, ele desabafa sobre a saudade de sua mãe que faleceu vítima de um atropelamento, ele também manda recado para seu pai que o abandonou desde cedo, no final da música, John berra com todas as forças, essa técnica é chamada de terapia primal, que consiste mais ou menos em berrar com todas as forças sua dores, ele tinha passado por essa terapia naquele período. Em seguida, o clima fica um pouco mais leve ”Hold On”, uma música bem calma e sucinta, com menos de 2 minutos de duração, o efeito delay da guitarra transmite uma vibe bem fim de tarde onde já era hora de desacelerar. ”I Found Out”, é uma das músicas mais porradas do disco, com uma bateria insistente do Ringo e um vocal rasgado de John. ”Working Class Hero”, uma das maiores composições da carreira de John Lennon, uma música que possui uma certa tensão, como curiosidade ela possui uma colagem nítida do violão em uma parte.

”Isolation” é uma faixa que poderia muito bem estar no ”Imagine”, uma canção no melhor estilo existencial de John Lennon, talvez minha preferida do disco. ”Remember” também é uma das melhores do disco, uma composição bem no estilo dos Beatles, ela possui uma polêmica explosão no final. ”Love” é uma canção de amor composta para Yoko Ono, uma música muito crua que parece que foi gravada com o microfone a 3 metros de distância, um momento bem melancólico do disco. ”Well Well Well” é um rock bem forte, porém sem grandes pretensões, ”Look At Me” foi composta quando o John ainda estava nos Beatles e lembra bastante ”Dear Prudence”. ”God” é uma das músicas mais rancorosas já compostas na história da música e reflete muito o momento que John vivia naquele período, assim como todos os outros Beatles, um sentimento de desesperança e descrença, na música John fala que não acredita em mais nada, desde Jesus até Beatles, ele acredita apenas nele e na Yoko. De fato, muito triste. O disco fecha com ”My Mummy’s Dead”, a faixa mais crua do disco, praticamente uma demo, o título já diz tudo.

Plastic Ono Band, foi ultimo disco gravado por um Beatle após a separação da banda, foi lançado no apagar das luzes de 1970, possui um clima bem íntimo, hoje em dia é considerado, um dos maiores e melhores discos da história, é um disco confessional e muito íntimo, quase que um diário aberto ao mundo. Relembrem esse grande trabalho e a vida do nosso querido John Lennon.

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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