40 anos de ”Sandinista”: O icônico disco triplo do The Clash.

Não é todo dia que você topa com um disco triplo, ainda mais na década de 1980 onde música passava por uma transição radical e novos rumos musicais entravam, novas roupas e novos estilos de vida. Acontece que uma banda vinha da década de 70 com muita energia e com MUITO material, o suficiente para lançar um disco com 36 músicas, estou falando do The Clash com o disco aniversariante de hoje, o ”Sandinista”!

A banda vinha de nada mais nada menos que um dos melhores discos da história, o clássico ”London Calling” lançado em 1979, a seguir a banda saiu em turnê, aproveitou o embalo e acabou compondo um novo material para um disco sucessor que chamaria ”Sandinista”. Eles gravaram as músicas em várias cidades como Londres, Manchester, Jamaica e Nova York. O título do disco se refere aos sandinistas na Nicarágua, um movimento político de esquerda.

Na época do lançamento do disco anterior, a banda lutou contra a gravadora para que o disco duplo fosse vendido ao preço de um simples, e com o lançamento desse disco triplo eles queriam que ele custasse o preço de um duplo. Para diminuir o valor eles reduziram ao máximo os lucros com o disco.

O disco segue muito a linha do seu anterior, com elementos de Reggae, Dub, Punk, Pop e até gospel. É um verdadeiro festival de criatividade que ao meu ver deu certo em partes, pois apesar do ”London Calling” ser um disco duplo irretocável, o ”Sandinista” é mais irregular até porque estar em alto nível com 36 músicas seguidas é uma tarefa quase impossível. Mas ainda assim ele é um disco com músicas fantásticas que merecem uma atenção especial.

Falando um pouco mais sobre as músicas, podemos começar destacando logo a faixa de abertura, ”The Magnificent Seven”, que na minha opinião conta com uma das linhas de baixo mais fenomenais da história, é incrível ver quanto o baixista Paul Simonon evoluiu em tão pouco tempo de carreira, essa faixa espelha essa fase totalmente palatável e amadurecida da banda. Eu também adoro ”Something About England”, que também é linda, uma balada bem à cara dos anos 80, um momento emocionante do disco. Agora a minha favorita do disco, sem dúvida nenhuma é ”Somebody Got Murdered”, talvez a música mais paulada de todas, uma composição perfeita, com uma guitarra forte, refrão grandioso e marcante. ”Charlie Don’t Surf” já é bem macia e agradável e representa uma cadência entre os estilos dentro do disco.

”Sandinista” foi um sucesso de crítica e apesar de assustar os ouvintes pela quantidade de músicas, ele oferece algumas das melhores composições da banda. Sem dúvida alguma, é um dos melhores lançamentos do ano de 1980 e mostra o quanto as pessoas produziam naquela época, é algo inacreditável! Fica a nossa homenagem e recomendação!

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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