55 anos de ”Blonde On Blonde”: A enxurrada criativa de Bob Dylan.

O maior compositor da música pop pede passagem para celebrar um dos maiores discos da década de 60. Bob Dylan fez muita coisa boa nos últimos 60 anos, discos memoráveis que entraram para história do Folk e do Rock. Hoje um de seus discos mais inspirados está completando exatos 55 anos, estou falando de ”Blonde On Blonde”!

O Bob Dylan nos anos 60 foi simplesmente perfeito, todos os seus discos dessa era são recheados de clássicos, todos com uma identidade muito forte. Ele fechou a primeira metade da década com dois discos fantásticos, o ”Bringing All Back Home” e ”Highway 61 Revisited”, esse último trouxe nada mais nada menos que a música ”Like A Rolling Stone”, não preciso falar mais nada.

A segunda metade da década chegou, Dylan tinha oficialmente virado um artista de Folk Rock, suas estruturas de composição haviam mudado, a música havia mudado e ele acabara de lançar discos excepcionais. Qual seria seu próximo passo? O que fazer para ao menos manter o nível nos trabalhos posteriores?

Dylan convidou vários músicos de estúdio como Al Kooper e Robbie Robertson e começou a trabalhar nas novas músicas para seu novo disco, juntamente com os membros da The Band, após um longo período de gravação e produção, estava pronto ”Blonde On Blonde”, um disco diferente, invador como sempre e único.

A diferença que vejo desse disco para os anteriores é a sonoridade em si, se em ”Highway 61 Revisited” ele atingiu um novo nível de composição, em ”Blonde On Blonde” ele conseguiu cultivar isso aliado à um momento muito próspero de inspiração para compor. A gente vai ver essas mudanças nas análises das faixas destacadas a seguir.

O disco abre com ”Rainy Day Women #12 & 35”, uma música bem imprevisível que chama muita a atenção logo de cara, com uma roupagem ”circense”, Dylan abre o disco de uma maneira épica e até glamurosa, é fantástico! Já minha faixa favorita do disco é ”I Want You”, pra mim é um das melhores composições da carreira do Bob, uma música ensolarada, musicalmente é bem diferente de seus grandes sucessos, uma faixa emblemática, romântica e sincera, perfeita! ”Just Like Woman” dispensa maiores apresentações, não é só um dos maiores clássicos da carreira de Bob Dylan, como também é um dos maiores clássicos da história da música, uma composição simplesmente genial e perfeita, uma canção mágica, com certeza é o grande destaque do disco.

Um fato é que ”Blonde On Blonde” é um disco duplo perfeito, cada faixa é única, ele abrange uma sonoridade diversa, pouquíssima óbvia, tem blues, country, folk, rock e tudo mais. É um disco que encabeça qualquer lista que está, é um trabalho a ser ouvido entre a enorme carreira de Bob Dylan, se bobear é meu favorito. Sem dúvida está entre os 5 discos de 1966 e merece demais uma atenção nos 55 anos de seu lançamento! Fica a nossa homenagem!

Autor: Neto Rocha

23 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

3 pensamentos

  1. Mais um discaço do trovador aparecendo por aqui… Caramba, 55 anos de “Blonde on Blonde”, quase um sessentão. Ouvi recentemente e achei-o todo muito bom, para mim foi o último grande disco de Bob Dylan nos anos 1960, e para muitos outros fãs, mais uma das inúmeras provas do tamanho gênio do artista. Além das citadas “Rainy Day Women #12 & 35 (Everybody Must Get Stoned)”, “I Want You” e “Just Like a Woman”, destaco também as não menos clássicas “Visions of Johanna”, “Absolutely Sweet Marie”, “Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again” (que título enorme, rapaz) e o encerramento com a longa e lindíssima “Sad-Eyed Lady of the Lowlands”, que traz uma história interessante: Dylan a compôs para Sara Lownds, uma de suas primeiras esposas, com quem se casou e teve filhos mais tarde, mas que na década seguinte se divorciaria dela, e isso até se refletiu em outro grande álbum do Vencedor do Nobel de Literatura 2016, que inclusive já foi antes resenhado aqui: falo do clássico “Blood on the Tracks” (1975).

    Enfim, ouvir Bob Dylan é sempre uma garantia de boa música feita não apenas com talento e simplicidade, mas também com brilhantismo e genialidade.

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      1. Esse álbum do Dylan que você citou, patrão, é o que veio depois de um acidente que o músico sofreu com sua moto no final de 1966, marcando o começo de uma nova fase na trajetória do trovador: o retorno ao folk, só que com umas pitadas de country (tal como o Desire, de 1976, que é o meu álbum preferido dentre os que eu conheço de Dylan).

        Desse disco em questão só conheço a faixa “All Along the Watchtower”, que ficou famosa na interpretação do saudoso Jimi Hendrix, e que ganhou uma eletrizante versão ao vivo do próprio Dylan e sua banda gravada em Budokan, no Japão, no fim dos anos 70 (recomendo este disco para que ouças com a mente mais aberta, pois muitos fãs criticam até hoje as roupagens diferentes que Dylan deu para seus vários clássicos neste álbum duplo ao vivo). Enfim, valeu a dica, patrão!

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