50 anos de ”Sticky Fingers”: O disco definitivo dos Rolling Stones.

Os Rolling Stones fazem parte da minha trindade do Rock. Uma das maiores bandas e símbolos da história do mundo carregam uma carreira de respeito e uma integridade invejável. Como toda banda, eles possuem uma fase de ouro simplesmente mágica, e hoje o disco que pra mim se configura como o melhor dentro dessa fase está completando exatos 50 anos, vamos celebrar e falar um pouco sobre ”Sticky Fingers”!

Os Rolling Stones vinham de uma crescente fabulosa, se contarmos desde 1968, a banda havia lançado ”Beggars Banquet”, um disco perfeito, mas que ainda não definia a sonoridade da banda por excelência, no próximo ano tivemos o sensacional ”Let It Bleed”, o último disco com o guitarrista Brian Jones antes de sua morte, nele nós já vemos a banda mais madura, acontece que faltava algo a mais e após a morte de Brian, a banda lançou um disco ao vivo muito interessante, o ”Get Yer Ya-Ya’s Out!”.

Entramos em 1970 e o Classic Rock estava se formando, a banda precisava de um novo guitarrista para entrar no lugar de Brian. Foi então que acertaram a adição de Mick Taylor, um cara que ia fazer muita diferença dentro da banda e ia dar o toque final de refinamento que a banda precisava naquela altura.

Com um novo line up definido, a banda estava pronta para começar as gravações de um novo disco, agora sob seu próprio selo, livre de compromissos com gravadoras, livres de tudo, era só deixar a genialidade trabalhar, e o resultado não poderia ser melhor, ”Sticky Fingers” estava no forno.

A sonoridade do disco em comparação aos anteriores não mudaria drasticamente, mas alguns ajustes de produção como uma nova afinação na guitarra de Keith Richards em sol maior, uma agressividade sonora bem potente, adição de saxofone e uma aposta em improvisações daria uma boa mudada nessa sonoridade.

Uma coisa que também é muito comentada, é a fantástica capa do disco. Temos uma foto tirada pelo genial artista ”Andy Warhol”, um gênio que fez grandes capas que entraram para a história do Rock, como o disco da ”banana”, a estreia do Velvet Underground. Como curiosidade, as primeiras edições do disco vieram com um zíper verdadeiro onde era possível mover na calça. Essa capa foi censurada na Espanha, fazendo com que a banda formulasse uma nova capa, eles lançaram com uma lata e dedos meio gosmentos dentro dela, e pra mim essa tem mais a ver com o título e vibe do disco.

Falando um pouco das músicas, o disco abre com ”Brown Sugar”, uma faixa que anima qualquer festa, o riff matador, uma das melhores composições da história do Rock, uma paulada de Classic Rock no melhor estilo Rolling Stones, Mick Jagger já nos mostra que está entrando em seu auge vocal em estúdio, uma mistura perfeita entre a técnica e feeling da maneira como deve ser feito. ”Sway” também tem uma vibe descontraída e despretenciosa que me pega muito, quase que uma faixa subvalorizada. Chegamos em ”Wild Horses” o tipo de música que muda qualquer cenário que eu estou, não importa a vibe esteja, quando eu a ouço, meu mundo muda e meus pensamentos se voltam 100% à ela, pra mim a melhor balada de todos os tempos, Mick Jagger mostra um lado sensível especial.

Uma outra que eu amo é ”Can’t You Hear Me Knocking”, outra pedrada na sua cabeça, um riff fantástico e simples, a faixa mais longa com mais de 7 minutos, ela conta com uma jam de improviso do meio pro final que deu muito certo, é muito a vibe dos Rolling Stones. ”Bitch” é outra música que da uma erguida no disco, um trabalho de guitarra muito bom de Keith Richards e Mick Taylor, uma das minhas favoritas de todos os tempos. Já ”Sister Morphine” é uma balada simples e que da um encaminhamento ensolarado para o fim do lado B do disco. ”Dead Flowers” é outra faixa meio subvalorizada do disco, lindíssima e até meio Country, traduz bem a vibe do disco. O fechamento com ”Moonlight Mile” não poderia ser melhor, lindíssima, psicodélica, lírica e autêntica, merece todos os destaques, uma grandiosidade única.

Para mim é uma verdadeira honra poder falar sobre esse disco que está entre os 10 da minha vida, nos exatos 50 anos de seu lançamento. ”Sticky Fingers” é o disco base para quem quer conhecer um pouco mais sobre o Classic Rock, é o disco definitivo dos Rolling Stones, e pra mim é o melhor de toda a carreira da banda. Fica a nossa homenagem à esse monumento!


Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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