50 anos de ”Layla And Other Assorted Love Songs”: O disco mais sentimental de todos os tempos!

Alguns discos transcendem o fato de apenas conterem boas músicas e um ou outro hit, alguns jogam com os nossos sentimentos e literalmente mudam completamente as nossas vidas. E hoje, vocês verão um texto muito emocionante sobre o meu disco favorito da vida. Sentem-se, abram um vinho e comemorem no dia de hoje, os 50 anos de ”Layla And Other Assorted Love Songs”!

Eric Clapton e sua recém formada banda ”Derek And The Dominos”.

Para entender melhor o contexto de gravação do disco, vamos falar um pouco sobre a segunda metade da década de 60, e analisar o que acontecia na carreira, de Eric Clapton, naquele período, ele havia começado e encerrado a parceria com o ”Cream” pelo fato das brigas, Jack Bruce e Ginger Baker não colaboraram para que o ambiente fosse o melhor possível, e depois em 1969, ele havia montado o ”Blind Faith”, outra grande banda que gravou apenas um disco, o homônimo. Essas duas fizeram Eric Clapton experimentar um sucesso enorme, e somado isso junto a carga de carregar a alcunha de ”God”, não deixou Eric nem um pouco confortável.

Neste meio tempo, temos que fazer um balanço também de sua vida pessoal, Eric era muito amigo de George Harrison e chegou até a gravar o solo de ”While My Guitar Gently Weeps”, a convite de Harrison. Eric frequentava muitos eventos com George e por conta disso, conheceu Pattie Boyd, a esposa de George, e esse acontecimento, influenciaria e MUITO a composição e gravação do disco homenageado de hoje.

Clapton disse que quando conheceu Pattie Boyd, sua vida mudou, ele nunca havia visto uma mulher tão bonita, com um jeito tão diferente e que ele se interessaria dessa forma, ao mesmo tempo a culpa por se interessar pela mulher do melhor amigo o consumia, eram sentimentos muito conflitantes e Eric se via numa situação muito complicada.

Voltando para 1970, Eric Clapton havia lançado seu primeiro e excelente disco solo, já homenageado aqui no Entre Acordes, e saiu em turnê com o pessoal da Delaney & Boney, neste período, Eric desenvolveu o vício em heroína e álcool e se viu num dos períodos mais obscuros da sua vida, a dificuldade em lidar com a fama, junto à culpa de alimentar um amor proibido o consumiu rapidamente, tanto que ele chegou até a cogitar o suicídio.

O clima não era favorável, mas Eric se viu completamente inspirado para a gravação de um disco que serviria de homenagem e desabafo para Pattie Boyd. Clapton conheceu um conto chamado de “Layli o Majnun”, onde o jovem Majnun se apaixona por Layli mas seus pais impedem que eles se relacionem, e a força a casar com outro homem, Majnun desenvolve demência e vai para um deserto, Layli reluta ficar com o então marido que logo falece e quando ela volta a procurar Majnun, ela percebe a sua doença e morre de desgosto, depois disso, Majnun volta a buscá-la e realiza que não pode tê-la. Ele une o conceito da sua vida pessoal com essa história, convida os músicos, Bobby Whitlock nos teclados e vocais, Jim Gordon na bateria, Carl Radle no baixo e mais tarde, já com 1/4 do disco feito, ele conhece pessoalmente Duane Allman e o convida para também tocar guitarra no disco.

Eric Clapton e Pattie Boyd nos anos 70.

O detalhe seria o nome da banda, com certeza Eric Clapton era o nome mais conhecido e relevante, mas já cansado da fama e buscando um certo ”anonimato” ela a batiza de Derek And The Dominos. Com tudo pronto, a banda inicia a gravação do disco mais sentimental de todos os tempos, o ”Layla And Other Assorted Love Songs”.

O disco abre com ”I Looked Away”, um dos grandes destaques do disco, já logo de cara, nos deparamos com a estética sonora e das letras do disco, Eric Clapton canta com muita devoção e diz que é um homem muito solitário, seus solos de guitarra conversam diretamente com a letra, a seguir temos ”Bell Bottom Blues”, uma das faixas mais tristes de todo o disco, ele implora a Pattie que lhe de uma chance e clama isso diversas vezes, o título da faixa seria referência à calça jeans boca de sino que Pattie costumava usar, em ”Keep On Growing”, temos talvez a canção de amor mais animada do disco, depois do início extremamente triste, é válido uma faixa um pouco mais pra cima, destaque mais uma vez para os solos fantásticos de Eric. “I Am Yours”, é uma baladinha no violão, fantástica, as pessoas não costumam dar muita bola pra ela, mas eu a considero uma canção de amor muito sincera e linda, e cria um clima interessante no disco.

”Anyday’‘ também é maravilhosa, agora o Blues Rock retorna com muita força e Duane Allman da aula no slide como já é esperado desse grande guitarrista, ”Little Wing”, é uma grande versão da música de Jimi Hendrix que havia falecido pouco tempo antes do lançamento do disco, dessa forma, Eric decidiu homenageá-lo no disco com uma lindíssima versão que encaixou bem na temática do disco, os solos de guitarras são líricos e arrepiantes. Finalmente chegamos na grande música desse disco, ”Layla”, uma das maiores composições de todos os tempos, um riff emblemático, Clapton canta com toda força do mundo, a faixa que representa todo esse momento, um verdadeiro petardo de lirismo, composição e amor, os solos combinados ao icônico coda do piano no final da música fecham essa história com uma grandiosidade vista poucas vezes na história, um marco. “Thorn Tree in the Garden”, apesar de na minha opinião estar fora de lugar no disco, o fecha com simplicidade e verdade, uma das minhas baladas preferidas de todos os tempos, grande momento!

Quando lançado, o disco não foi bem recebido pela crítica e público da época, mas como acontece com grande parte dos clássicos da história do Rock, só é compreendido anos mais tarde e hoje em dia é considerado um dos maiores discos de todo os tempos, merecidamente.

A capa do álbum é uma pintura de ”’Frandsen-De Schomberg”, chamada “La Fille au Bouquet”, ao saber da existência da pintura, Eric percebeu a semelhança do desenho com Pattie Boyd e decidiu utilizá-la como capa do disco, e convenhamos é uma das mais lindas.

De considerações finais, ”Layla And Other Assorted Love Songs”, pra mim é o disco mais sentimental de todos os tempos, por mais que tenha sido um momento muito delicado para Eric Clapton, ele se viu muito inspirado e de certa forma, gravá-lo deve tê-lo ajudado a lidar com esses sentimentos e o consolidou como um dos maiores nomes da história do Rock. 50 anos depois, o disco segue mudando a vida das pessoas, como mudou a vida do autor que vos escreve, que ele dure mais 50 anos emocionando a todos! Obrigado Eric!

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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