“Honora”: A hipnótica estreia solo de Flea.

Quem acompanha um pouco mais de perto a vida do Flea, baixista do Red Hot Chilli Peppers, sabe o quanto ele é apaixonado por Jazz, desde sua infância, até os dias atuais, podemos perceber isso através de relatos em livros, redes sociais, documentários ou até mesmo no palco quando Flea usa um pouco seu trompete. Então não seria uma enorme surpresa se um dia ele viesse com algum trabalho na linha do Jazz.

Esse dia chegou, no ano de 2026, aos 63 anos de idade, veio à luz o primeiro álbum solo de Flea, justamente de Jazz, finalmente! E será que esse é só mais um disco tradicional do gênero ou ele veio carregado de personalidade como esperamos de alguém como ele?

Pois bem, se você achou que seria a segunda alternativa, você está certo. Intitulado como “Honora”, este disco rompe totalmente tanto com o som do Red Hot, quanto com a ideia de ser “só mais um” disco de Jazz tradicional. Ele é construído com faixas autorais introspectivas e algumas releituras de músicas mais famosas como “Maggot Brain” o que resgata um pouco a veia Funk do Flea.

Se tivesse que definir rapidamente o som do disco, podemos caminhar pela ala do experimental e emocional, sem grandes pretensões de se tornar um hit como um lançamento dos Peppers, o que é ótimo ao meu ver. Me remete um pouco a fase mais elétrica de Miles Davis, pois alguns elementos estão escondidos entre os andamentos clássicos de Jazz.

Com participação de Thom Yorke e Nick Cave, Flea entrega um álbum de certa forma surpreendente e hipnótico. Um disco de muita coragem e autenticidade, de um artista muito verdadeiro que poderia fazer um disco pra “lançar uma carreira solo popular”, mas decidiu fazer algo que acredita e traz algo diferente. O resultado? Uma bela experiência, e provavelmente se configurará entre os melhores discos do ano!

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Autor: Neto Rocha

28 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.