40 anos de ”Double Fantasy”: A icônica despedida de John Lennon.

As magníficas carreiras solo dos ex-Beatles renderam clássicos quase que do mesmo nível dos trabalhos da época da banda. A carreira solo do John Lennon é uma das que mais me interessam, ela não é muito extensa e rendeu discos muito icônicos que marcaram época e hoje o mais conhecido da sua carreira solo, está completando 40 anos, o ”Double Fantasy”, vamos conhecê-lo um pouco mais e saber as histórias por trás desta grande obra!

Após um hiato de 5 anos longe dos estúdios por conta do nascimento de seu filho Sean, John Lennon retomou sua carreira musical com uma outra vibe, outra cabeça e muita inspiração para a gravação de seu quinto e último disco solo, intitulado como ”Double Fantasy”.

Um evento que trouxe bastante inspiração para as novas composições do disco foi uma viajem de barco que Lennon fez ainda em 1980, nela, ele e a tripulação passaram por bastante problemas de navegação e John foi determinante no salvamento dos colegas, assumindo a direção do barco. Essa viajem o deixou num estado de espírito diferente, mais determinado e com a cabeça mais aberta. Ele também se influenciou na música pop que estava em destaque na época, como o movimento New Wave, logo seu disco traz uma sonoridade alegre, moderna e muito diferente dos seus discos da década e 70.

John usaria a mesma estrutura de disco que utilizou no politizado ”Sometime In New York City” de 1972, de modo que as composições das faixas seriam alternadas de autoria entre John Lennon e Yoko Ono, e isso é o que na minha opinião faz com que o disco não seja perfeito. Eu entendo a importância dela na vida pessoal do John, agora musicalmente, eu acredito que ela não acrescente em nada nos trabalhos dele, muito pelo contrário, suas músicas destoam da qualidade do disco.

Assim que lançado, ”Double Fantasy” foi praticamente ignorado pela maior parte das pessoas que já não acreditavam que John Lennon iria entregar algum disco de alto nível depois desse longo hiato, mas após sua morte em Dezembro de 1980, a crítica e público olharam de um outro ângulo para o disco e ai sim ele fez um sucesso tremendo em ambas as áreas solidificando a importância e qualidade do trabalho. Como curiosidade, esse disco foi um dos responsáveis por alavancar a gravadora ”Geffen Records” que era recém fundada na época.

Falando do que mais interessa, as músicas, podemos destacar logo de cara ”(Just Like) Starting Over”, lodo de cara a gente já consegue visualizar um John diferente, muito mais alto astral tanto sonoramente, quanto nas letras, um belíssimo cartão de visitas, ”Cleanup Time’‘, é uma das músicas mais Rock N’ Roll de todo o disco, uma faixa muito característica da época e bastante alto astral, ”I’m Losing You”, é uma faixa bem intimista e lírica, também é uma das minhas preferidas, ”Beautiful Boy (Darling Boy)”, é um claro reflexo do momento bacana que John Lennon vivia, o clima de ser pai e um homem mais caseiro, ”Watching The Wheels”, é uma das faixas mais filosóficas da carreira de John Lennon, quem não conhece o verso ”Life Is What Happens To You, When You’re Busy Making Another Plans”?, e para fechar, ”Woman”, é a minha música favorita do disco e uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos, uma música simplesmente perfeita, lírica, linda, leve, e sincera, uma música que representa tudo, todo esse momento, uma música que abraça, um verdadeiro marco.

De considerações finais, ”Double Fantasy” poderia muito bem um dos melhores discos da história da música pop, a prova disso é quando a gente junta apenas o material que o John gravou nas sessões desse disco que originou também um disco póstumo muito interessante, ”Milk And Honey” lançado em 1984. Mas enfim, de fato ainda assim é um disco muito importante que possui grandes músicas da carreira de John Lennon, que estava numa fase linda e que infelizmente nos deixou alguns dias depois do lançamento desse disco. Fica a nossa homenagem ao disco e à memória de um dos maiores compositores da história da música pop!





Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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