”Born To Run”: O épico disco de Bruce Springsteen rumo ao sucesso.

Quando a gente pensa em Bruce Springsteen logo nos vem á cabeça músicas como Born In The Usa e Dancing In The Dark, mas na década de 70 sua sonoridade era muito diferente da vibe oitentista. O disco mais ”sério” por assim dizer da sua fase dos anos 70 é o Born To Run!

Bruce Springsteen 1975 Entre Acordes

“O álbum onde deixei para trás minhas definições adolescentes de amor e liberdade – era a linha divisória” – Bruce Springsteen

Bruce havia estreado em 1973, com os ótimos ”Greetings From Asbury Park” e ”The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle”, dois álbuns bacanas porém não obrigatórios. Mas em 1975 a chave virou, as composição escalariam para outro patamar e Bruce sabia muito bem como fazer isso com seriedade se dedicando 14 meses no estúdio trabalhando em cada faixa.

Com o disco Born To Run, Bruce finalmente conseguiu adentrar ao mainstream, alcançando o número três da Billboard, ele tinha traçado isso como meta antes da gravação do disco, era notável aquela vibe meio Van Morrison com a banda, mas nesse disco ele acertou a mão com a E Street Band, aquele saxofone do Clarence, os refrões e ”músicas de arena”. A crítica num geral o considera entre os maiores discos de todos os tempos, e ao meu ver muito justamente.

O que justifica todo esse sucesso são as músicas, então vamos falar mais sobre elas, na abertura emblemática ”Thunder Road” ouvimos as primeiras notas no teclado e a gaita de Bruce Springsteen, no decorrer da música, Bruce exala todo seu lado Soul com a característica roquidão na voz, um bom aperitivo de como o disco será épico e extremamente grandioso. ”Tenth Avenue Freeze-Out” é uma faixa muito divertida que virou figurinha carimbada nos shows do Bruce, é uma música praticamente autobiográfica.

Bruce Springsteen Performs Live In Amsterdam
Bruce Springsteen em turnê de divulgação do disco ”Born To Run”

Em ”Backstreets” o lado épico de Bruce Springsteen toma á frente, uma faixa emocionante e muito marcante, difícil ouvi-la sem algumas lágrimas rolarem, o trabalho do piano e da guitarra ditam o ritmo com excelência, a voz de Bruce está bem sincera e do fundo da alma. ”Born To Run” é a grande música desse disco, e o grande xodó de Bruce, foi uma das primeiras com esses riffs de teclado que ganharia mais forças nas composições dos anos 80. Como curiosidade, Bruce gravou essa faixa de uma maneira meio ”um take só” porém não foi no primeiro, foram mais de 6 meses só trabalhando nela. O que falar de um encerramento como ”Jungleland”? Confesso que a primeira vez que ouvi fiquei desolado, esse sim deve ser definido como um verdadeiro ÉPICO, uma faixa extremamente complexa, com quase 10 minutos de duração, Bruce da tudo de si e Clarence ou melhor o ”Big Men” faz um solo de saxofone que tranquilamente é o mais emocionante de todos os tempos. Que disco amigos!

Bruce teve um pouco de dificuldade de reproduzir em estúdio sua enxurrada de criatividade, ele não conseguia explicar muito como gostaria que as músicas soassem, isso justifica os 14 meses de gravação, bom pelo menos deu um resultado maravilhoso.

”Born To Run” é o disco mais grandioso de Bruce Springsteen, eu sei que o conceitual disco duplo The River de 1980 também é um trabalho complexo, mas aqui ele mostra um lado épico e soul em todas as faixas que faz com que esse trabalho seja um obra de arte por si só. Foi o casamento perfeito da musicalidade das canções com um conteúdo sério e complexidade nas letras e composições. Pra quem não conhece muito essa primeira fase do Bruce, pode começar por esse sem medo, fica a recomendação!

Born To Run Album Cover Entre Acordes

 

 

 

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

4 pensamentos

  1. No ano passado, Born in the USA completou 35 anos de lançamento em julho de 2019 e o EntreAcordes contou um pouco da história deste grande disco do “The Boss”. E em agosto de 2020, dia 25, este disco clássico Born to Run, que marca o começo do sucesso para Bruce Springsteen, fez 45 anos de lançamento e este blog estava também devendo uma homenagem a ele. Afinal, são os dois discos mais icônicos e bem-sucedidos do lendário músico americano. Gosto muito de ambos os dois, cada um em seu tempo, mas para mim o melhor álbum da carreira dele é também o meu favorito – falo do duplo The River (de 1980), que também completa seu aniversário: 40 anos de lançamento em outubro. Sugiro uma homenagem do EntreAcordes falando dele!

  2. Correção: o aniversário de Born in the USA é em junho, e não em julho. Desculpe-me, patrão!

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