Debater e refletir sobre a relação do homem e os computadores hoje se tornou algo cotidiano, mas imagine só isso em 1981, quando um computador era completamente inacessível para a maior parte das pessoas. Pois é, o Kraftwerk colocou tudo isso em um disco conceitual intitulado como “Computer World” ou “Computerwelt” em alemão se preferir.
Para quem não conhece, o Kraftwerk é um grupo musical alemão de música eletrônica, também reconhecido como um dos grandes pioneiros no gênero que revolucionou a música pop influenciando diversos artistas importantes contemporâneos. E em 1981 eles lançaram esse que é seu terceiro disco de estúdio, e como de costume, a banda trabalhou em cima de um conceito em torno da tecnologia e mundo digital.
Em “Computer World”, temos apenas 7 músicas em torno de 34 minutos que te transportam para dentro de um computador em uma sequência de batidas mecânicas, frias e muito hipnóticas, mas não espere algo monótono, e sim uma experiência intrigante com requintes de provocação emocional, se é que fica claro a minha definição.
A faixa título de abertura é um belo tema central desse conceito, que representa muito bem a atmosfera, mas não posso deixar de colocar como destaque central “Nummern”, um dos grandes clássicos do grupo, composição com a batida extremamente influente em gêneros como hip hop e a música eletrônica geral, que se desenvolve genialmente até o fim.
Toda a abordagem conceitual do disco, a respeito do domínio dos computadores na vida das pessoas, unindo essa musicalidade repetitiva, insistente e provocativa prevê totalmente como seria o futuro, muito na linha em que nos encontramos hoje. E o poder de influência que esse disco tem é quase imensurável para uma grande parcela da música que é feita hoje em dia. Se você não é muito fã da proposta e estilo, no mínimo você precisa ouvir esse trabalho como documento histórico da música moderna.

