A quadrilogia desconstruída de Scott Walker!

Como vocês sabem, eu adoro buscar e recomendar uma sequência de discos que podem formar uma trilogia ou até quadrilogia, que é exatamente o que eu vou fazer neste artigo. Entre 1967 e 1969, o grande Scott Walker lançou quatro discos muito interessantes intitulados como Scott 1, Scott 2, Scott 3 e Scott 4.

Contextualizando um pouco melhor, o músico americano Scott Walker vinha previamente de um sucesso notório com The Walk Brothers mas no fim dos anos 60 resolveu iniciar uma carreira solo com um teor quase que inovador, músicas orquestradas com um tom mais sombrio, utilizando o máximo de seu talento vocal mais grave e imponente, com letras existencialistas, resultando em canções fortes mas ainda com um tom acessível digamos assim.

Vamos começar pelo “Scott”. Lançado em 1967, o primeiro autointitulado de Scott Walker e pode ser considerado como o mais acessível dele, um pouco mais tímido mas já com a assinatura completa de Walker, orquestrações, voz marcante e letras fortes. Um ótimo disco nem tão comentado.

Já em “Scott 2”, lançado em 1968, a coisa começa ficar um pouco mais séria. A ambientação mais pesada começa aparecer que é o local onde a presença de Scott Walker começa a se destacar. Em proporção readequada, aqui Scott começa a flertar com algo mais conceitual, fazendo com que a experiência do ouvinte comece a precisar de mais tempo para digerir o som.

Por sua vez, “Scott 3”, lançado em 1969 é baseado em canções mais longas, com maior liberdade criativa e que ao meu ver acaba se perdendo um pouco na proposta. Fazendo dele o menos inspirado quando comparado aos outro da quadrilogia. Mas ainda assim é um bom disco, sem dúvida.

Para fechar, temos o antológico “Scott 4”, lançado também no ano de 1969. E neste disco temos um trabalho diferente, na minha opinião é a grande obra prima de toda a carreira dele, um disco totalmente ousado conceitualmente, composições pouquíssimo convencionais mas com um valor artístico enorme. Foi pouco comentado na época mas hoje em dia vem ganhando status de grande clássico, audição obrigatória.

De considerações finais, a quadrilogia “Scott” de Scott Walker, talvez nem tenha um propósito oficial conceitualmente falando, mas eu enxergo um arco bem interessante, onde ele vai “desconstruindo” um estilo mais pop rumo a algo menos óbvio maravilhoso, fazendo dele um dos grandes artistas daquele período. E se você não conhece nada, recomendo que pegue estes discos e ouça com carinho.

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Autor: Neto Rocha

28 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.