A trilogia “sem nome” de Elis Regina

Eu acho muito interessante quando o artista coloca algum conceito especial em algum disco ou alguma sequência de trabalhos. E olhando retrospectivamente, muito provavelmente sem um rótulo especial eu enxergo algo interessante que no mínimo vale um artigo embalando a recomendação de 3 grandes discos de Elis Regina, que em teoria fecha uma trilogia os “Elis” 1972, “Elis” 1973 e “Elis” 1974.

Apesar de termos mais discos intitulados como “Elis” em outros momentos da discografia, aqui nesse período eu vejo um arco artístico muito bem amarrado que marca uma escada de evolução do som de Elis Regina. Vamos entender melhor toda essa estética.

Em “Elis” de 1972, é um verdadeiro marco em sua carreira, aqui ela incorpora uma intérprete mais contida e lírica em relação aos últimos trabalhos. Talvez não seja a melhor definição, mas aqui ela fica mais “séria” musicalmente. Apontando claramente a um norte musical que a consolidou. Destaco especialmente “20 Anos Blue” e “Mucuripe”, muito emocionantes.

Já em “Elis” de 1973, pode ser definido como ainda mais denso e ainda mais sério. Até a capa remete a algo mais profundo e intimista, a perfeição da voz de Elis neste disco é especial nem falo tanto tecnicamente, mas em emoção em cada palavra. Basta ouvir “Doente Morena”, a densidade de alma aqui se destaca. Um disco muito interessante.

E por último, em “Elis” de 1974, temos o trabalho que fecha a trilogia. Na minha visão, a grande consolidação do som com a assinatura da Elis Regina, neste trabalho o som é ainda mais cadenciado, pensado e “gelado” no bom sentido, alternado com momentos de pequenos raio de sol. “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá” resume tudo isso muito bem.

De considerações finais, apesar de não termos um nome específico definido, essa trilogia mostra muito bem a consolidação do som de Elis Regina, representando todo um projeto artístico com o mesmo nome, o que é curioso. E o disco que vem depois é simplesmente o que para mim é o maior da história do Brasil, “Elis & Tom” a grande coroação do que ela fez nesses 3 discos, mágico. Aproveite para ouvir com mais atenção essa fase maravilhosa da maior mulher da história da música brasileira!

Avatar de Desconhecido

Autor: Neto Rocha

28 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.