“Uprising”: A digna despedida de Bob Marley.

Poucos artistas deixaram um legado tão profundo em tão pouco tempo quanto Bob Marley. Mesmo com menos de uma década de lançamentos, foi o suficiente para ser eternizado como dos mais sólidos não só do Reggae mas de toda a música. Bob conduziu sua carreira com muita paixão, luta e representatividade e em 1980 ele lança seu último disco em vida, o ótimo “Uprising”.

Apesar de se encontrar em excelente forma criativa, Bob enfrentava um tipo raro de câncer de pele que infelizmente acabou tirando sua vida em 1981. Mas antes disso, ele não se abateu, em 1980, Marley & The Wailers seguiam trabalhando muito, excursionando e compondo em nível de excelência e no meio daquele ano lançaram este disco, recheado de grandes composições, politizado como sempre, com mensagens espirituais e posições de força.

A produção é cristalina, muito “clara” e sem surfar a onda enfeitava que aquele início da década de 80 estava começando a desenvolver. O ritmo do disco é cadenciado num geral, apesar do lado B guardar surpresas positivas, das suas melhores composições estão lá, “Could You Be Loved”, um sentimento inexplicável de um artista que sabia estar enfrentando o fim e que manteve sua identidade compondo uma música nesse tom tão cativante e agradável. E o que falar de “Redemption Song”? Essa sim, introspectiva, reflexiva, você pode até enxergá-la como clichê hoje, mas imagine ouvir uma faixa tão pura e tirada da alma logo depois que Bob se foi? Arte.

“Uprising” é uma verdadeira despedida digna de um artista que deixou esse mundo no ápice, eternizando uma mística em torno de seu nome, terminando sua carreira com um encerramento poético e muito reflexivo. Não à toa Bob Marley marcou uma geração, transcendeu a cultura mundial e deixou sua mensagem para a posteridade.

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Autor: Neto Rocha

28 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.