No início dos anos 90, o Guns N’ Roses se encontrava num verdadeiro ápice, comercialmente falando, lotando estádios com estruturas robustas promovendo os grandiosos discos “Use Your Illusion I e II”. Depois, em 1993, com o lançamento do controverso de “The Spaghetti Incident”, tínhamos o reflexo sonoro do momento em que a banda se encontrava, sem um alvo específico e com relacionamento bastante turbulento.
Foi então que aconteceu o triste fim da era clássica do Guns N’ Roses, e a pergunta que fica é: Como cada um seguiu seu caminho nesse primeiro momento de dissolução da banda? É especificamente isso que gostaria de comentar com vocês neste artigo.
Vamos começar pelo baixista Duff Mackagan, que foi o primeiro da banda a lançar um disco solo e em 1993, Duff lançou “Believe In Me”, um trabalho honesto e muito interessante que pouca gente deu atenção, uma boa mistura de gêneros e com participação de seus antigos companheiros de banda, Slash e Matt Sorum resultando num álbum muito bom e com som característico do Guns.
Slash por sua vez, embarcou num primeiro projeto paralelo mais cru chamado Slash’s Snakepit, com o disco “It’s Five O’Clock Somewhere” em 1995, também com alguma característica da banda que ele mais se desenvolveu, mas com uma vibe mais voltada ao Blues Rock contrastando completamente com o que Axl acreditava para o Guns naquele momento, isso mostra um dos motivos de tantas divergências criativas.
Apesar de não estar efetivamente no último momento antes da dissolução da banda, vale mencionar o guitarrista Izzy Stradlin que iniciou um projeto chamado “Izzy Stradlin and the Ju Ju Hounds” com um disco de mesmo nome em 1992. E digo que este talvez seja a grande jóia escondida de todos esses, vale lembrar que Izzy era força criativa nos tempos de Guns e esse disco mostra como ele ainda tinha muita lenha para queimar, um trabalho que também mistura gêneros e com algumas composições que caberiam muito bem no repertório do Guns.
Já o guitarrista base Gilby Clark, “The Man With The New Corvette”, como diria Axl. Era o menos expressivo no Guns mas teve sua contribuição na banda. Ele apostou num início de carreira solo e em 1994 lançou o disco “Pawnshop Guitars”, um disco que não me diz muita coisa e seguia um Rock Clássico sem muitas pretensões, um disco regular.
Para fechar, Axl Rose, é claro. Enquanto os ex-membros seguiam seus novos projetos, Axl manteve o nome Guns N’ Roses e passou anos desenvolvendo o projeto “Chinese Democracy” que viu a luz do dia somente em 2008, após 14 anos de produção, considerado o segundo disco mais caro da história da música, que resultou num trabalho completamente diferente do que o Guns N’ Roses representava, dividindo completamente a opinião entre os fãs até pela expectativa. Eu por exemplo não sou fã do disco.
Nos anos seguintes, cada um seguiu seu caminho, desenvolvendo projetos até que 2016 acabaram se reencontrando para uma reunião que parecia completamente impossível reconstruindo parte do legado do Guns, com Axl Rose, Slash e Duff Mackagan na base até o momento desse artigo. E apesar das polêmicas e mudanças, o Guns N’ Roses se consolidou como uma das maiores bandas de todos os tempos, marcando a história da indústria musical.

