A carreira solo de Paul McCartney é a mais produtiva em comparação aos outros Beatles, até pela maior condição de tempo que ele teve para produzir. E depois de algumas décadas, Paul conseguiu consolidar uma trilogia com discos intimistas e experimentais, estou falando dos “McCartney I, II e III”, onde a proposta foi tocar, cantar e produzir praticamente sozinho cada um deles.
Em “McCartney”, temos o marco 0 de sua carreira solo oficialmente, lançado em 1970 logo em seguida ao fim dos Beatles, este é o trabalho mais cru e intimista da trilogia, calcado no Folk. Com algumas experimentações sonoras e canções em destaque como “Maybe I’m Amazed” e “Singalong Junk”. Um disco de amadurecimento e certamente meu favorito da trilogia.
Em “McCartney II”, temos um direcionamento sonoro totalmente diferente do anterior. Lançado em 1980, temos um trabalho ainda mais experimental, mais conceitual, bem alinhado com seu tempo, onde temos muitos sintetizadores, experimentações eletrônicas, “barulhos” mas como estamos falando de um Beatle, temos muita composição, como “Coming Up” e “Waterfalls”. Esse com certeza é o menos popular e que requer algumas audições para que o ouvinte entre na mesma frequência.
Em “McCartney III”, 5O anos depois do início da trilogia, lançado em 2020 durante uma pandemia, com um Paul McCartney bem mais envelhecido mas ainda com muita vontade de produzir. É um disco que carrega os mesmos valores dos anteriores, isso quer dizer que ele também está alinhado com a sonoridade da época e honestamente, ouvindo retrospectivamente, vejo um disco bem mais agradável. Boas composições, mas longe da inspiração das décadas anteriores.
A trilogia McCartney é a representação de uma carreira consistente por um gênio incansável. Estamos diante de 3 discos lançados em décadas diferentes, em momentos diferentes e que refletem o seu tempo, cada um com seu valor. Coisa que só um Beatle seria capaz de fazer e tudo indica que vem mais material por ai, certamente estarei aqui atento e grato por dividir o mesmo tempo que o grande Paul McCartney.

