A trilogia “Rê” de Gilberto Gil.

Gilberto Gil é um artista que explorou diferentes vertentes ao longo de sua carreira, ele soube muito bem se adaptar aos movimentos e sempre teve algo a dizer musicalmente. Na segunda metade da década de 70 ele iniciou e fechou um trio de discos conceituais que é conhecido como: A trilogia “Rê”. Vamos falar um pouco sobre ela!

Essa trilogia é composta pelos álbuns “Refazenda” (1975), “Refavela” (1977) e “Realce” (1979). E apesar de terem esse “Rê” em comum, os discos não seguem uma mesma linha musical necessariamente, sequer contam uma mesma história. Mas ao mesmo tempo eles destacam perfeitamente a evolução e exploração musical de Gil, quase que uma ilustração definitiva da música dele e quando olhamos essa trinca dessa maneira, tudo faz sentido.

“Refazenda” de 1975, o primeiro da trilogia, é um trabalho que marca a grande volta de Gil após o exílio em Londres, aqui ele busca um resgate de suas tradições nordestinas envoltas numa sonoridade bem raiz. Tanto em termos de letras quanto de som o disco exala simplicidade e a natureza. Frequentemente citado entre os grandes clássicos de sua carreira. Destaque para as faixas: “Ela” e “Refazenda”.

“Refavela” de 1977, o segundo da trilogia e foi composto depois de uma experiência de Gil na Nigéria e carrega fortes influências africanas em harmonia com a música brasileira. Eu considero um dos discos mais profundos de sua carreira. Destaque para as faixas: “Aqui e Agora” e “Sandra”.

“Realce” de 1979 é o grande fechamento dessa trilogia, gravado em Los Angeles este é um trabalho mais pop num geral, uma super produção no bom sentido. Flerta com a disco music que estava em alta, que resultou no disco que talvez seja o melhor dele. Com temas mais urbanos num geral, eu destaco as faixas: “Realce” e “Toda Menina Baiana”.

De considerações finais, a trilogia “Rê” é um marco dentro da música brasileira e representa muito bem a diversidade de influências pela qual Gilberto Gil passou. Da brasilidade do “Refazenda”, as conexões culturais africanas em “Refavela” e a sofisticação pop em “Realce”. Grandes discos de um grande músico, fica como recomendação!

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Autor: Neto Rocha

28 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.