Em meio a tantas voltas de aposentadorias, idas e vindas entre formações de bandas, me peguei pensando no caso do Led Zeppelin, simplesmente umas das bandas mais importantes da história do Rock que teve sua trajetória interrompida precocemente após a morte do baterista John Bonham em 1980 e que apesar de alguns encontros esporádicos, nunca mais retomou pra valer as atividades com uma turnê mundial ou lançamentos inéditos.
E tudo isso me fez pensar, será que o Led Zeppelin realmente precisava encerrar suas atividades após a morte de John Bonham? De fato é uma pergunta que com o passar das décadas vale a reflexão.
Vamos começar falando um pouco sobre a dinâmica entre os ex-integrantes que era um pouco diferente do que vemos por aí. No Led, os quatro eram extremamente importantes e partes praticamente iguais em termos de importância geral dentro do contexto deles, basta ver listagens e reconhecimentos com olhar retrospectivo nos dias de hoje, é muito difícil cada um deles não estarem entre os 5 melhores instrumentistas da história de seus respectivos instrumentos. Então o fator relevância do nome de Bonham dentro da banda era gigante, isso também é apontado por todos os outros integrantes.
Com o fator dos papéis estabelecidos, acho válido lembrarmos qual degrau a banda se encontrava em 1980, época do falecimento de John Bonham. Eles vinham do lançamento do disco que divide opiniões, “In Through The Out Door” de 1979, frequentemente citado como o menos interessante da discografia, também é importante destacar que todos os integrantes passavam por momentos muito delicados naquela altura, entre problemas com vícios e perdas pessoais. E o falecimento de John Bonham acabou sendo o estopim para o encerramento das atividades oficialmente, o que rapidamente mostrou uma integridade e posicionamento muito forte.
Olhando depois de décadas, podemos também apontar que o risco que eles corriam pela mudança drástica de estética sonora e visual que a década de 80 trouxe muito provavelmente teria abalado a discografia da banda e consequentemente arranhado o legado que hoje o Led carrega como grande peso pesado do Rock.
E chegando aos dias de hoje vemos como o mercado se comporta, tirando o Led Zeppelin que até o momento da produção deste artigo (Janeiro de 2026), ainda tem todos os membros vivos e bem de saúde. E nem preciso falar muito sobre a cultura de “desaposentadorias” muito motivadas pelas propostas milionárias de festivais e produtoras. E pelo que vemos, o Led Zeppelin não sinaliza aproveitar essa onda.
A pergunta final eu deixo para vocês e contribuo com algum pensamento. O Led Zeppelin precisava mesmo acabar com a morte de John Bonham? Na minha opinião, sim. O contexto da época, a personalidade de cada um dos integrantes, o valor que a banda atingiu perante o mundo hoje por sua história digna, sem lançamentos aleatórios, sem “vender a alma” para a indústria. Tudo isso é muito louvável, mas confesso ao mesmo tempo que como grande fã, pelo meu coração, gostaria muito de ver uma apresentação da realidade que temos hoje do Led Zeppelin, mas talvez o “e se” nessa altura seja mais mágico do que uma volta com riscos de riscar um legado praticamente perfeito.

