45 anos de ”Low”: Uma obra de arte de David Bowie.

Quem é fã do Bowie tem em mente a famosa ”Trilogia de Berlim”, que consiste nos 3 discos que ele lançou entre 1977 e 1979, o ”Low”, ”Heroes” e o ”Lodger”! E não tem jeito melhor de começar a falar sobre essa trilogia do que começar pela sua origem que hoje está completando exatos 45 anos, a obra prima chamada ”Low”!

O que rolava era o seguinte, David vinha de um disco antológico de 1976, o monumental ”Station to Station”, um disco que abraçava o Soul, o Pop e até o Funk. Mas como o camaleão não era muito de seguir sonoridades, ele se reinventou mais uma vez e conseguiu produzir um disco maravilhoso, o ”Low”.

Como na época do ”Station to Station” ele estava completamente viciado em drogas, ele mudou os ares para se manter sóbrio e saiu de Los Angeles para a França com ninguém mais, ninguém menos que Iggy Pop, que também era um louco. Nessa oportunidade, Bowie produziu diretamente o disco ”The Idiot” de Iggy, e aqui nós vemos alguns sutis elementos que Bowie utilizaria em seu próximo disco.

E com a grande ajuda do produtor Tony Visconti, Bowie começou a produção do ”Low” na França e terminou no Hansa Studios de Berlim, para onde ele e Iggy haviam se mudado. E o resultado foi um disco simplesmente maravilhoso. Inspirado num rock mais experimental das bandas alemãs Neu! e Kraftwerk que usam muitos instrumentos eletrônicos.

Eu tenho a sensação que o disco tem uma sonoridade futurista e ele acabou sendo dividido em dois atos, no lado A temos faixas mais curtas e no lado B mais longas e mais focadas no instrumental. Claro que as guitarras não foram abandonadas mas aqui elas são apenas uma ponte para algo muito mais complexo, o que na minha visão foi um grande acerto.

Dos destaques do disco, eu gosto bastante da faixa de abertura ”Speed Of Life”, uma instrumental que logo de cara impacta os ouvintes, o som de bateria já mexe com a nossa cabeça, início muito empolgante. ”Sound And Vision” com certeza é a grande música desse disco, a mais conhecida pelo menos, tem uma vibe bem ensolarada e Bowie está perfeito. ”Always Crashing The Same Car”, tem um título maravilhoso e uma vibe grandiosa, também gosto muito. Já ”Be My Wife” é minha faixa favorito do disco, uma composição muito inspirada de Bowie, o piano repetitivo e pesado da uma cadência única, prende a atenção. ”A New Carrer In A New Town” é uma das minhas faixas favoritas de todos os tempos, eu não consigo alcançar o quão genial Bowie foi.

”Low” é um disco completamente a frente do seu tempo. O nível das composições é surreal e a produção num geral, o som de bateria, os elementos são todos revolucionários, muita dessa sonoridade só iria a ser explorada mais a fundo em meados dos anos 80. E se você pegar o que o Bowie vinha fazendo até a chegada desse disco, é coisa de maluco. Esse era um verdadeiro gênio e merece demais que celebremos os 45 anos de um de seus principais discos!

Autor: Neto Rocha

24 anos, e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s