50 anos de ”Pearl”: A despedida emblemática de Janis Joplin.

Falando de discos póstumos, a maioria deles não passa de armadilha para os detentores dos direitos de grandes artistas, ganharem alguma coisa em cima de gravações genéricas ou algumas migalhas que sobraram dos arquivos. Acontece que nem todos os lançamentos póstumos são assim, e a recomendação de hoje é um GRANDE disco póstumo, estou falando do clássico ”Pearl” da Janis Joplin, que está completando 50 anos hoje!

Janis Joplin teve uma ascensão meteórica muito rapidamente e infelizmente teve sua carreira e vida interrompida bruscamente devido à uma overdose de heroína no dia 4 de Outubro de 1970. Nesse período, ela vinha do lançamento do seu primeiro disco solo ”I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama” de 1969, e estava trabalhando na gravação do seu segundo solo, o fantástico ”Pearl”, que estava quase finalizado.

Acompanhada da sua nova banda, a ”The Full Tilt Boogie Band”, Janis estava caminhando para uma produção mais polida e mais bem acabada, a sonoridade dos instrumentos e da sua voz no disco é a excelência no caminho de mostrar a essência do artista com algo bem feito em termos de produção.

O disco abre com ”Move Over”, com um timbre de bateria perfeito, em poucos segundos, a banda entra com uma forte pressão, um Rock/Soul por essência, Janis está cantando um pouco mais contida em comparação à seguinte, ”Cry Baby”, uma das maiores perfomances vocais de todos os tempos, uma balada disfarçada de paulada, Janis da tudo de si e canta com a alma como sempre, uma composição emocionante e contagiante, uma das minhas preferidas. Além desses 2 clássicos citados, o disco também conta com ”Me and Bobby McGee’‘, uma balada com flertes no Country que eu adoro, já ”Woman Left Lonely” é uma balada muito sentimental no melhor estilo das composições do Blues, que eu também adoro.

Como curiosidade, ”Buried Alive In the Blues” é a única faixa inacabada do disco, Janis faleceu antes de poder colocar a parte vocal nela, pelo seu título parece até uma faixa premonitória. ”Trust Me”, talvez seja a faixa mais elaborada do disco e nos mostra uma Janis mais bem produzida e com potencial enorme. ”Get It While You Can”, talvez seja a minha favorita de todo o disco, uma música mágica, e bem instigante, caminhando para um final emblemático! Uma despedida muito digna para um dos maiores nomes que a música pop já viu, um verdadeiro acontecimento.

Pearl” foi lançado 3 meses após a sua morte no dia 11 de Janeiro de 1971, e nos mostra o enorme potencial que Janis tinha de passear pela década mais produtiva de todos os tempos, os anos 70, e nos presentear com muitas parcerias e discos mais elaborados e mais audaciosos, dava pra ver o quanto ela estava evoluindo em suas composições mas infelizmente teve uma abreviação de seus dias. O que nos resta é ouvir e espalhar a obra da maior cantora de Rock da história e sua potência! Fica a nossa homenagem!

Autor: Neto Rocha

23 anos. Grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

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