45 anos do ‘’Revolver’’: A Obra Prima do mais Maldito dos Malditos, Walter Franco

Em 1975 Walter franco entra em estúdio para grava o álbum que seria o mais aclamado de sua carreira, ‘’Revolver’’, dando continuação as suas experimentações musicais.

   Walter Franco surge na efervescência dos Festivais de Música Popular Brasileira, participa em 1968 do 1º Festival Universitário da TV Tupi, onde inscreve a canção ‘’Não se queima um sonho’’ que foi interpretada por Geraldo Vandré. Em 1969 na segunda edição do festival da TV Tupi o compositor ganha o terceiro lugar com a música ‘’Sol de vidro’’, interpretada por Eneida. Participa ainda da terceira edição do festival com as músicas ‘’Animal Sentimental’’ e ‘’Pátio dos Loucos’’, mas é com a música ‘’No Fundo do Poço’’, que foi tema da novela O Hospital, da extinta TV Tupi, que Walter Franco começa sua carreira profissional, lançando em 1971 um compacto simples pela gravadora Phillips.

   Inda na onda dos Festivais, Walter Franco inscreve e interpreta a controversa ‘’Cabeça’’ no 7º festival Internacional da Canção, da TV Globo. A música ganha o primeiro lugar, mas numa reviravolta todo júri do festival é afastado e a música ‘’Cabeça’’ é desclassificada. Muito se especulou nos bastidores que a Globo tentou manipular o festival para que a música não ganhasse o primeiro lugar, porém, o que se sabe hoje, é que a pressão para a substituição do júri veio por parte dos militares, que não se agradou de Nara Leão fazer parte do júri e achou a música muito ‘’agressiva’’.

Walter Franco no 7º Festival Internacional da Canção (1971)

   É nesse contexto de festivais que o cantor e compositor grava seu primeiro disco, ‘’Ou Não’’, lançado pela gravadora Continental em 1973. Conhecido e reconhecido como o disco mais radical da Musica Brasileira, trazendo consigo as músicas ‘’Cabeça’’ e ‘’Pátio dos Loucos’’ dos festivais, e ainda a música ‘’No Fundo do Poço’’, que estava na trilha sonora de uma novela da TV Tupi. O álbum contava ainda com ‘’Mixturação’’, ‘’Agua e Sal’’, ‘’Me deixe Mudo’’. Incompreendido, ‘’Ou Não’’, foi um disco ousado e revolucionário, principalmente nos conceitos de melodia, silencio e ruído.

Ou Não – Walter Franco (1973)

Se afastando um pouco da levada experimental do disco anterior, o ‘’Revolver vem com uma pagada mais pop, um álbum mais palatável em referência ao ‘’Ou Não’’. Composta por 14 faixas que vai desde o rock, MPB e jazz, sendo até mesmo difícil classificar o gênero da obra. A capa apresenta o artista em diagonal, todo de branco, perambulando pela noite, enquanto na contracapa, a palavra “sim”, em braile. 

Revolver – Walter Franco (1975)

 ‘’Feito Gente’’, encabeça a faixa de abertura do disco, um rock um pouco pesado e bem visceral. Seguido por ‘’Eternamente’’, uma letra simples e pequena, Walter utiliza poucas palavras com sentidos diferente, porém com o mesmo som, uso da homofonia, coisa muito presente na Poesia Concreta.

   ‘’Cachorro Babucho’’, diferente da faixa de abertura, agressiva e visceral, essa música tem uma pegada mais leve, delicada. ‘’Partido Alto/Animal Sentimental’’, Walter retrabalha a frase com múltiplos sentidos: ‘Foi meu mestre quem me ensinou/Foi teu mestre quem me ensinou.

   A faixa homônima ‘’Revolver’’, que encerra o disco, como boa parte das letras da obra está bem ligada a Poesia Concreta, o autor pega poucas palavras e esse palavras são repetidas  levando a uma configuração de  mantra, chegando a hipnotizar quem o ouvinte com aqueles versos:  Lembrar de esquecer/Esquecer de lembrar/Cansar de dormir/Dormir, descansar.

   Sem abandonar o teor experimental de seu disco de estreia, Walter Franco no ‘’Revolver’’ expões ao máximo sua criatividade e inteligência, a ligação entre música e poesia, não é à toa que esse álbum é considerado um trabalho atemporal e moderno, como também a obra prima do mais Maldito dos Malditos.

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