50 Anos do ‘’…Em pleno verão’’ a mudança na musicalidade de Elis Regina.

A segunda metade da década de 60 passava por um momento gigantesco de efervescência, e é nesse contexto de Festivais, Tropicalismo, Power Flower, Woodstork que Elis é apresentada a uma nova cantora que surgira no Tropicalismo, Gal costa. Nelson Mota apresenta a Elis o primeiro álbum solo da cantora Gal Gosta, o álbum homônimo de Gal Costa lançado em 1969. Elis ficou encanta com a nova cantora, seu jeito agressivo de cantar, sua voz única e sua pegada que ia desde o forró de Jackson do pandeiro até o Blues de Janis Joplin.

   Após ser apresentada a Gal Costa por Nelson Mota, Elis convida o mesmo para produzir o seu próximo disco que seria lançado em 1970, o ‘’Em pleno verão’’. Com a produção de Nelson Mota e os arranjos maestro e pianista Erlon Chaves Elis resinificou sua carreira, dando uma roupagem mais pop e contemporânea a sua música. A capa, uma das mais clássicas de sua carreira, traz Elis num sorriso bobo com a mão no queixo, a foto da capa ficou por conta do fotografo Gil Prates.

Elis Regina – Em pleno Verão (1970)

O disco já abre com um clássico da carreira de Elis, ‘’Vou deitar e rolar (Quaquaraquaquá)’’, composição de Paulo César Pinheiro e Baden Powell, traz Elis em um tom bem alegre e sorridente, uma interpretação própria da cantora. A faixa seguinte é uma composição de Jorge Ben Jor, ‘’Bicho do mato’’, o disco ainda conta com outra composição de Jorge bem, ‘’Até aí morreu Neves’’, a letra traz uma expressão popular que foi muito usada pelo escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.

   ‘’Verão vermelho’’, a única faixa totalmente instrumental do disco, mostra  Elis com um  talento nato de improvisação vocal. A canção foi usada como trilha sonora de abertura de uma novela homônima da TV Globo em 1970. Composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ‘’Frevo’’, é uma marchinha de carnaval, como o próprio nome diz, um Frevo, anunciando  chegada do carnaval.

   Elis enterra definitivamente sua rivalidade com Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda, isso fica evidente na gravação de ‘’As curvas da estrada de Santos’’, composição de Roberto e Eramos. Elis interpreta canção de um jeito bastante agressivo, um grito, um pedido de socorro. A cantora se joga numa  interpretação pesada de blues, não é à toa que essa é uma das maiores interpretação da cantora. Nela fica muito evidente a inspiração no jeito agressivo de Gal Costa cantar.

Elis Regina e Roberto Carlos no começo da década de 70.

Alguns compositores fizeram parte de praticamente toda a obra de Elis, um deles, quem a mesma declarou ser apaixona era Gilberto Gil, e claro, ele está neste disco. ‘’Fechado pra balanço’’, sétima faixa do álbum, uma linda composição de Gil, um sambinha leve e gostoso de ouvir, principalmente no finalzinho, Elis cantarolando a frase épica ‘’Viver não me custa nada, viver só me custa a vida e a minha vida foi dada’’. Genial, não?

   Elis tentar nesse disco deixar para trás as desavenças que outrora tivera, como, por exemplo, com o tropicalismo e guitarra elétrica, com isso, pela segunda vez, ela grava uma composição de Caetano Veloso, ‘’Não tenha medo’’. A antepenúltima faixa do disco, a mais bela de todas, é nada mais nada menos que o encontro das duas maiores vozes da música brasileira. Apresentado por Nelson mota a Elis, Tim Maia leva até Elis a letra de ‘’These are the Songs’’, uma letra mista entre o inglês e o português, no mesmo ano Tim maia estreia com seu primeiro disco, Soul até o tutano.

Tim Maia e ao fundo um cartaz de pré- lançamento do disco Em pleno verão. (1969)

 ‘’Comunicação’’, penúltima música do álbum, é uma composição de Édson Alencar e Hélio Matheus, a música foi defendida pela cantora Vanusa no 5° festival da MPB da TV Record no ano de 1969. Diferente de Vanusa, que fez uma interpretação seria e meio ácida, Elis dá a música um leve tom de brincadeira, cantando de uma forma mais cômica. A música também fez um grande sucesso e é bem conhecida em sua carreira. Finalizando o começo do amadurecimento musical de Elis vem a última faixa do disco ‘’Copacabana velha de guerra’’, composição de Joyce e Sérgio Flaksman, a música foi defendida por Joyce e o Triciclo no FIC (Festival Internacional da canção) de 1969. Essa música, assim como outras do disco, fizeram parte dos famosos especiais da rede Globo no começo da década de 1970.

Elis Regina no especial da TV Globo em 1971 cantando ”Copacabana velha de guerra”.

Elis Regina conseguiu mostrar o quanto uma cantora pode ser versátil se necessário, sem abandonar o ‘’jeitinho Elis’’ lá do ‘’Fino na Bossa’’, começo de sua carreira, a cantora consegue se renovar mantando ainda sua essência. O ‘’Em pleno Verão’’ foi o começo da guinada de uma Elis que se tornaria a maior cantora brasileira de todos os tempos, isso ficaria visível em seu disco seguinte o “Ela’’, Elis inovou e se reinventou ainda mais. Mas aí já é outra história.

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