A epítome do Rock and Roll setentista! 50 anos de ”Humble Pie”.

Eu sinto até uma fraqueza nos ossos pra falar dessa banda, vou tentar ser o mais lúcido possível, se eu passar do ponto, vocês estão liberados para me xingar nos comentários, contanto que eu consiga fazer vocês ouvirem essa banda, qualquer ultraje vale a pena; estou aqui para falar de  HUMBLE PIE, uma das maiores bandas da história do Rock e uma das bandas da minha vida – possivelmente, vocês encontrarão algumas doses de ufanismo, então relevem.

Em 1969, o grupo lançara seus dois primeiros discos: o primeiro, muito baseado no que viria a ser chamado de hard rock anos depois; o segundo, com uma sonoridade mais acústica, misturando country com folk, mas também com pitadas de hard rock, apesar de ser menos pesado que o seu predecessor.

Eu diria que o Humble Pie achou o seu som mesmo em 1970, quando do lançamento desta pérola do Rock and Roll e que hoje completa meio século de vida, o auto-intitulado Humble Pie. Neste álbum, o bicho pegou, e pegou pesado. O quarteto formado por Steve Marriott (vocal e guitarra – ex Small Faces), Peter Frampton (guitarra), Greg Ridley (baixo – ex Spooky Tooth) e o espancador de peles Jerry Shirley (bateria). Vale ressaltar que, apesar de Marriott ser o líder da banda, todos ajudavam nas composições; é comum encontrar nos discos do Humble Pie músicas de todos os integrantes.

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Indo direto ao ponto, preciso falar das músicas; eu gostaria de ter um livro para usar e abusar dos adjetivos, conjunções aditivas e tudo o que a língua portuguesa me oferece para acrescentar e ornamentar um texto. O disco já abre com a divina ”Live With Me”, que mostra o porquê Steve Marriott é um dos melhores vocalistas de sua geração; o que ele faz nessa música é qualquer nota; as linhas de baixo fenomenais de Greg Ridley, deus meu, que baixista. Peter Frampton mostrando que ele tinha muito mais Rock na veia do que se supunha, já que sua carreira solo é mais voltada para o Pop Rock (muito bem feito, diga-se de passagem). A música começa suave, muito por conta do teclado tocado por Ridley, e, aos poucos, vai ganhando um peso concupiscente, até explodir no refrão com a voz rasgada e imponente de Steve. Que música espetacular, merece ser ouvida com o coração.

”Only A Roach”, música composta e cantada por Jerry Shirley , lembra muito Rolling Stones; um número de blues rock bem interessante. Um adendo sobre a banda é a forma como eles faziam belas interações de vozes; é comum ver, em uma mesma música, alternância nos vocais e como o casamento é extremamente bem feito, vide em ”One Eyes Trouse-Snake Rumba”. Depois desse parêntese, peço encarecidamente que deem bastante atenção à próxima faixa: ”Earth And Water Song”.

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Podem me chamar de louco, mas esta música é uma das três melhores que Peter já fez na vida. Tudo nessa música é contagiante, desde a voz doce e melodiosa de Frampton, passando pelo convite ao prazer que são os fraseados de guitarras, o baixo acachapante e preciso de Ridley… é muito bom, daquelas canções que são ótimas para ouvir com a cabeça no travesseiro, num bom fone de ouvido e deixar-se viajar através das suas notas.

Vamos voltar para a pancadaria; não há pedida melhor que ”I’m Ready”. Cover de Willie Dixon, mas a música é tão diferente, em todos os aspectos, que poderia ser uma música do Humble Pie mesmo. Riff de guitarra pesadíssimo, um baterista espancando seu instrumento, o baixo pulsando firme ao ponto de fazer você se mexer no ritmo dele e um vocalista no seu auge, botando o gogó pra trabalhar firme e sem sossego; mais uma vez é possível perceber e destacar as alternâncias nos vocais que citei anteriormente, muito bem feito. A também pesada ”Red Light Mamma, Red Hot” é mais um exemplo de como essa banda sabia fazer Rock and Roll como ninguém.

Pra fechar o disco e devolver o clima calmo apresentado nos seus primeiros segundos, temos a maravilhosa ”Sucking On The Sweet Vine”. O trabalho de violão nessa canção vai fazer você se sentir abraçado com tanto carinho que nunca vai querer sair. Marriott deixa de lado seu estilo agressivo de cantar e emprega uma voz altamente suave, mostrando todo o seu cardápio vocal.

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Falando um pouco sobre a capa, “Humble Pie” é frequentemente referido pelos fãs como “The Beardsley Album”, devido à arte da capa distinta do artista Aubrey Beardsley, um influente ilustrador e autor inglês mais conhecido por suas ilustrações eróticas.

Eu poderia falar muito mais, porém, vou deixar vocês ouvirem e tirarem suas próprias conclusões, estou pronto para ser chamado de louco, mas também quero ver as pessoas que terão suas vidas mudadas depois de escutarem este petardo. Aguardo os comentários de vocês e boa audição.

A text by @lukaspiloto7twister

 

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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