45 Anos do Renascimento Pop do Fleetwood Mac

A fórmula do sucesso por vezes vem em frascos duvidosos. Por exemplo, na união entre uma banda que perde seu vocalista em meio a uma tempestade de disputas judiciais e um jovem casal de artistas transitando entre subempregos com a ambição de viver o sonho de Rockstar. Você já deve imaginar que estamos falando do Fleetwood Mac, mas para entender esse fenômeno, é preciso voltar um pouco no tempo. Mais precisamente, para 1974.

Datando da fase áurea do Blues Rock Britânico, àquela altura o Fleetwood Mac já era uma banda veterana. Sob a liderança de Bob Welch e Christine McVie, eles enveredavam cada vez mais para um som Pop, acessível, embora obtivessem um sucesso mediano. No mesmo ano, eles se mudam para Los Angeles e gravam “Heroes Are Hard To Find” (1974), quando, após a turnê, Welch deixa o grupo. O baterista Mick Fleetwood sai imediatamente à procura de um novo Frontman, e acaba parando no Sound City Studios. Lá, fica maravilhado ao ouvir uma música do disco “Buckingham Nicks” (1973), do casal Lindsey Buckingham/Stevie Nicks e chama Buckingham para entrar na banda. Ele aceita, com a condição de que sua parceira também fosse incluída. Daquela união como poucas na história da música, nasceu o autointitulado “Fleetwood Mac”, que, há exatos 45 anos, iniciava uma sequência implacável de sucessos.

Basta ouvir os primeiros segundos de “Monday Morning” e sua vibe californiana inconfundível pra saber que se trata de um renascimento para o Fleetwood Mac. A entrada de Buckingham e Nicks mergulhou a banda numa sonoridade Soft/Pop Rock perfeita para as rádios, mas sem perder a sofisticação e, é claro, a força das canções.

Christine McVie, como de costume, nos presenteia com sua consciência pop inabalável, seja na calmaria harmoniosa de “Warm Ways” ou o alto astral absoluto de “Over My Head” e “Say You Love Me”, que é, para mim, uma das canções mais pegajosas e primorosas já escritas. Quando o álbum corre o risco de ficar muito adocicado, o espírito Rock ‘n’ Roll de Buckingham segue vivo, e brilha em porradas como “Blue Letter” e a veia Country animalesca de “World Turning”, que mostra como nunca seu jeito dedilhado e único de tocar a guitarra.

Já Stevie Nicks protagoniza o que são provavelmente os dois maiores sucessos por aqui. O primeiro deles, a balada de cortar o coração “Landslide”, no momento mais intimista do álbum. O segundo, a misteriosa e sofisticada “Rhiannon”, que apresenta uma performance vocal arrebatadora e que virou marca registrada nos shows da banda. E como uma bela obra-prima Pop, o disco acaba em altíssimo nível, com a overdose guitarrística de Buckingham em “I’m So Afraid”.

O objetivo era o sucesso, e não deu outra. Chegando ao número 1 da Billboard 200 e ao top 30 na Inglaterra, o mundo era finalmente apresentado à banda que dominaria as paradas por muitos e muitos anos. Pode-se dizer que o Fleetwood Mac nasceu duas vezes, e bem, a música Pop agradece!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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