50 Anos da Salada Alternativa Sempre Relevante de Beck

Em 1993, num mundo prestes a ser abalado pela morte de Kurt Cobain que simbolicamente “matou” o Grunge, um cara que surge misturando Rap com o Folk e o Rock Alternativo em versos como “I’m a loser, baby, so why don’t you kill me?” parecia o mais puro produto de seu tempo. Tanto que foi a canção que tirou o californiano Beck da obscuridade da cena No-Folk, quando trabalhava em empregos medíocres e, às noites, tocava em clubes de arte para plateias desinteressadas, o que o fez adotar um estilo brincalhão, surrealista e completamente único.

O produto desse choque entre as suas raízes na música americana, o experimentalismo alternativo e a força do Hip Hop chegou às massas como “Mellow Gold” (1994), seu primeiro disco por uma grande gravadora (Geffen), e que foi um tremendo sucesso, com uma fusão de ideias que desafiava qualquer rótulo.

“Todo o conceito de Mellow Gold é que é como um disco satânico da K-tel que foi encontrado em uma lixeira. Algumas pessoas o molestaram, dormiram e engoliram em seco antes de cuspir. Alguém jogou pôquer com ele, alguém tentou fumá-lo. Em seguida, o disco foi levado para o Marrocos e coberto com húmus e tabulé. Em seguida, foi levado de volta a uma convenção de esquiadores aquáticos, que esquiavam e brincavam de Frisbee. Em seguida, o disco foi colocado no toca-discos e o álbum original da K-Tel alcançou um nível totalmente novo. Eu estava apenas sentindo o Freedom Rock, você entende” – Beck.

Mas, se “Mellow Gold” foi uma “estreia” (na verdade, seu terceiro disco) espetacular, ele refinou sua fórmula para produzir “Odelay” (1996), que é sua obra-prima. Abandonando o som caseiro de outrora para uma produção meticulosa e lotada de samples da lendária dupla Dust Brothers, criando um dos discos definitivos dos anos 90.

Em 1998, o vencedor do Grammy de Melhor Álbum Alternativo “Mutations” (1998) mostrou que a a mente inquieta de Beck estava longe de se acomodar, se jogando na sonoridade psicodélica. E isso é o que marca sua carreira de mais de duas décadas, em que cada álbum é uma história. Enquanto “Midnite Vultures” (1999) flerta com o Funk/R&B, “Sea Change” (2002) é uma coleção de canções Folk simples, de coração partido, das mais bonitas que Beck já compôs. Em pérolas mais recentes como “Morning Phase” (2014), ele mostra que ainda está inspiradíssimo, gerando até uma colaboração interessante, embora um tanto Frankenstein, com Pharrell Williams em “Hyperspace” (2019).

Tudo isso só prova que Beck chega aos 50 anos com o mesmo espírito de 25 anos atrás. Sem medo de inovar e explorar novos sons. E bem, que tenha vida longa!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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