O Hotel das Estrelas de Gal Costa – 50 Anos de “Legal”

O ano era 1970, e os ares eram outros. Com Caetano e Gil exilados, Gal Costa se tornou a porta-voz do tropicalismo. No início do ano, ele encontrava dificuldade de montar um repertório para seu novo disco, e resolveu ir visitá-los em Londres. Voltando de lá com duas canções de cada Baiano, Gal já tinha o cerne do que seria uma certa ruptura com a lisergia de outrora para uma sonoridade mais diversa. O incrível “Legal” está completando 50 anos!

Pautado nos incríveis arranjos de Lanny Gordin e o “maldito” Jards Macalé, o álbum é uma incrível massa sonora, que já vem com o pé na porta em “Eu Sou Terrível”, uma versão flamejante do clássico de Roberto/Erasmo, onde Gal praticamente encarna a Janis Joplin tupiniquim, sobre as camadas de sopros na mais pura pegada Soul. Mas toda a explosão logo cai no surrealismo das canções de Gil “Língua do P” e “Mini-Mistério”. Já as canções de Caetano por são o frevo “Deixa Sangrar” (uma tradução direta de “Let It Bleed” dos Stones”) e o clássico absoluto “London, London”, gravado aqui em primeira mão.

As nuances psicodélicas reaparecem nas canções de Macalé, seja no sucesso “Hotel das Estrelas” ou “The Archaic Lonely Star Blues”, com um trabalho guitarrístico sublime de Lanny Gordin. Há inclusive um coral de luxo na parceria Gal/Macalé/Lanny de “Love, Try and Die”, com simplesmente Tim Maia, Erasmo Carlos, o próprio Jards e Nana Caymmi. Já para o final, uma justa homenagem a João Gilberto em “Falsa Baiana” conclui o disco com o que é seu mote: a antropofagia cultural. Captando do Soul ao Rock ‘n’ Roll à Bossa Nova, “Legal” inaugurou um novo capítulo na carreira de Gal, representando, ao mesmo tempo, as tradições e o que estava surgindo de novo na música brasileira. Obrigatório!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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