A Incrível Odisseia de Um Revolucionário das 6 Cordas

Com uma carreira que data do final dos anos 50, tocando com nomes como Art Blakey & The Jazz Messengers e o pai do Free Jazz Ornette Coleman, James Blood Ulmer é, com seu estilo essencialmente subversivo, um dos mais importantes guitarristas de Jazz dos últimos 50 anos. Sua carreira solo também possui inúmeras pérolas, e hoje no quadro “Revirando a Coleção” trago o que é, para mim, o disco mais apropriado para iniciar uma viagem só de ida por sua carreira: o sensacional “Odyssey” (1983).

O último de seus três álbuns na Columbia Records, “Odyssey” pode ser considerado o trabalho mais acessível de Ulmer, um artista essencialmente vanguardista e com uma abordagem tão pouco tradicional de se tocar guitarra. Muito disso se deve ao trabalho do violinista Charles Burnham, que tanto atinge os territórios Fusion à la Mahavishnu Orchestra, quanto retoma algumas das tradições da música americana, com uma sensibilidade melódica incrível. Isso faz com que a formação em trio de guitarra, bateria (Warren Benbow) e violino soe incrivelmente cheia e viva.

Os primeiros acordes “Church”, que se inicia com uma explosiva sessão de improviso, já introduzem o estilo atonal e com uma afinação pouco ortodoxa de Ulmer, abrindo uma imensa paleta sonora que o permite cobrir as linhas de baixo e guitarra simultaneamente. Seus vocais de Bluesman também aparecem muito bem em “Little Red House”, a balada puramente Hendrix de “Please Tell Her” e na versão revisitada de sua faixa mais icônica e provocante “Are You Glad To Be In America?”.

Os momentos mais experimentais são um verdadeiro deleite sonoro, como nos grooves quebrados e inquietas paisagens guitarrísticas da faixa-titulo, o teor exótico de “Love Dance” e a verdadeira salada musical da derradeira “Swings & Things”, que vai da mais pura pulsação do Boogie às incríveis dissonâncias do trio.

Se você quer uma mistura única, que vai do Free Jazz ao Rock ‘n’ Roll, ouça James Blood Ulmer!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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