“Obsidian”: a viagem gótica do Paradise Lost

Os veteranos ícones do Gothic/doom metal estão de volta. Com mais de 15 discos de estúdio, não é fácil se manter relevante após tanto tempo em um estilo que, embora envolvente, seja tão fácil de se cair no campo do clichê ou pedantismo, entretanto, isso nunca pareceu ser algo que causasse preocupação aos britânicos e o claro exemplo são os últimos registros da banda, independente da década, eles sempre conseguem uma forma de surpreender.

Se em 2015, com “The plague within”, a banda volta com elementos que remetem aos primórdios, “Medusa”, disco mais recente até então, traz algo mais sombrio e arrastado. Em “Obsidian”, o guitarrista Greg Mackintosh e o excepcional vocalista Nick Holmes, os dois principais responsáveis pelo direcionamento do grupo, retornam a mais um capítulo e, como já é de praxe, nunca parecem demorar mais de 3 anos entre um álbum e outro.

“Darker Thoughts” abre o disco de forma calma, com um vocal limpo e doce na introdução, pra depois ir ganhando forma. Na sequência, a escolha do primeiro single, “Far from grace” que inicia com um riff já caracteristico do Gothic que os mais íntimos já estão tão habituados.
Ao contrário das duas faixas introdutórias, “Ghosts” já inicia nos lembrando de bandas que flertaram com o rock gótico nos anos 80, no refrão e na forma de cantar, algo que dará as caras novamente na faixa “Forsaken”, e aqui abrimos um parêntese pra elogiar o domínio de Nick Holmes ao passar de vocais limpos pro gutural com uma enorme facilidade e técnica, soando agressiva na mesma proporção que melancólica.

Em “Obsidian,” podemos apreciar mais um registro de uma banda afiada, dotada de experiência, com canções lentas, arrastadas, dosando bem a agressividade e a melancolia, um passeio que revisita momentos cruciais ao grupo, desde o clássico “Draconian Times” até “One second”. É um disco que permeia e faz menção – direta ou indiretamente – à vários momentos ao longo das três décadas. Certamente requer novas e constantes audições, para melhor assimilação do que é proposto ao ouvinte.

Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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