45 anos de “Now look”: o segundo disco solo de Ron Wood

A relação de Ron Wood com o Rolling Stones já vem de longa data. Keith Richards participa do seu primeiro álbum “I’ve got my own album to do”, contribuindo com algumas músicas, bem como tocando guitarra e fazendo backing vocals; basicamente na mesma epoca, Ron Wood participa da gravação de “Its only rock n roll but i like it” e Jagger contribue com algumas idéias na faixa de abertura, “I can feel the fire”.
Todas essas trocas mútuas permitiram um maior entrosamento entre os membros e facilitou sua entrada, quando Mick Taylor decide deixar os Stones, ainda em 1974.

O título do primeiro álbum serve como uma indireta pra Rod Stewart, acusando-o de priorizar a dedicação à sua carreira solo em detrimento do Faces, banda que Ron Wood fazia parte.
O segundo disco, “Now look”, é frequentemente esquecido quando posto ao lado das estreias de Mick Jagger ou Keith Richards, mas se por um lado temos essa injustiça, musicalmente falando temos um trabalho de alto nível, coeso e diversificado.

“I got lost when I found you” já abre com um baixo se destacando do resto dos instrumentos, e com um Ron Wood ainda tímido assumindo os vocais, o que se perde na sequência, com “Big Bayou” se distanciando do clima mais ameno da faixa de abertura, e temos aqui uma canção mais incorpada, uma das mais alto astral do disco.


“Breathe on me” é uma quase balada com uma voz chegando a lembrar Rod Stewart, com um belo conjunto de guitarras, elétricas e acústicas. “If you don’t want my love” repete o feito da anterior, possui um baixo cheio de classe e groove e é o exemplo claro que como técnica vocal nem se faz necessária quando se canta direto da alma. Uma das coisa mais interessantes em “Now look” é essa vibe soul/R&B que permeia por algumas faixas do álbum.
“I can say she’s allright” até lembra os Stones nos seus primeiros segundos graças à presença de Keith Richards na guitarra, mas os rumos logo se distanciam, fazendo dessa uma das mais rock n’ roll do album.

Se este álbum estava fora do seu radar até o dia de hoje e se, fora dos Stones, as carreiras de Keith e a irregular discografia de Mick Jagger são as únicas obras na qual você teve contato, dê uma chance pra essa pérola que poucos parecem lembrar de sua existência, o tempo gasto será recompensado e você não se arrependerá.

Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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