Garotas escolares demolem o mundo dominado pelos homens! 40 anos de ”Demolition”.

Encontrarmos mulheres em grandes bandas de Rock, infelizmente, não é muito comum; encontrar uma banda formada só por meninas é mais difícil ainda. Talvez, hoje em dia, isso esteja melhorando, porém, no início dos anos 80, você contava nos dedos das mãos quantas ”bandas de mina” tinham no cenário; havia bandas como Curved Air, Renaissance, Pretenders, Stone The Crows que tinham como líderes figuras femininas, além do Heart e The Runaways, bandas formadas exclusivamente por mulheres. Entretanto, nenhuma delas fez tanto barulho como GIRLSCHOOL, ainda mais se levarmos em consideração que a banda surgiu no final dos anos 70 e pegou carona na New Wave Of The British Heavy Metal, ao lado de bandas como Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, Tygers Of Pan Tang etc.

Hoje, o disco de estreia das garotas escolares Demolition, completa 40 anos; ele alcançou a 28º posição nas paradas britânicas, o que é muito se levarmos em consideração todos os movimentos que estavam em voga à época, como a New Wave, Pós Punk e ainda um resquício da Disco Music, além, é claro, do próprio Heavy Metal, no entanto, como foi dito acima, as bandas femininas não frequentavam o alto escalão das paradas,e o Girlschool veio justamente para mostrar pra rapazeada que, sim, as mulheres são tão Rock and Roll quanto os homens e merecem mais espaço nesse meio permeado pelo preconceito e o machismo.

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A banda era formada por Kim McAuliffe (guitarra e vocal), Kelly Johnson (guitarra e vocal), Enid Williams (baixo e vocal) e Denise Dufort (bateria); o disco contou com a produção de Vic Maile, que, entre vários discos que produziu, tem em Ace Of Spades, do Motörhead, seu ponto alto na carreira. Para divulgar o disco, as meninas excursionaram pelo mundo, abrindo shows do Black Sabbath e Uriah Heep. Músicas como ”Not For Sale”, ”Take It All Away” e ”Midnight Ride” são verdadeiros petardos de Rock and Roll e a clara demonstração de como essas meninas tinham energia e metal na veia.

O grande hit desse disco foi o cover de ”Race With The Devil”, da banda The Gun, banda esta que contava com os irmãos Paul e Adrian Gurvitz em sua formação, eles que, posteriormente, formariam um belo power trio com Ginger Baker, recém saído do Cream. As meninas deram um peso a música que a deixou ainda melhor que a versão original.

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Se você é daqueles que acham que ”Rock não é coisa pra mulher”, ouça este disco e perceba o quão enganado você está, e ainda corrobora um tipo de preconceito que devemos lutar cada vez mais para que acabe. O rock não tem cor, gênero ou raça, ele é feito justamente para aqueles que sabem apreciá-lo e entendem o que ele pode representar em nossas vidas.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

5 pensamentos

  1. Uma curiosidade é que antes da versão de “Race With the Devil” feita pelas meninas do Girlschool, esta canção da banda Gun já foi antes coverizada pelo Judas Priest, no final da década de 70, durante as gravações do disco de 1979 Killing Machine (também chamado de “Hell Bent for Leather”), mas que não entrou no tracklist. As edições remasterizadas deste disco contam com esta versão do JP. Quem não a conhece, que vá correndo ouvir!

      1. Sim, bem lembrado. Entrou na edição remasterizada de Sin After Sin. Bem lembrado!

  2. ”Rock É coisa também para mulher”. Elas são tão capazes como os homens e, além disso, acho que têm mais qualquer coisa que não sei definir. Sigo entusiasticamente várias bandas femininas, mas a minha preferida actualmente é a banda mexicana THE WARNING. São fabulosas! Deixo aqui um exemplo. Não percam tempo, vão ouvi-las! https://youtu.be/sNxrcJr4lrw

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