“Follow the reaper”: 20 anos de um clássico do metal finlandês

Um dos subgêneros mais interessantes derivados do heavy metal é o death metal melódico, que começou a despontar na década de 90, sobretudo com nomes como At the Gates, In Flames e Dark Tranquillity, da prolífera cena de Gotemburgo, na Suécia, bem como os britânicos do Carcass, um dos pioneiros a unir grindgore ao death metal, servindo como marco inicial pra muita coisa que viria a seguir.

Desde seu periodo embrionário, com a célebre NWOBHM, até seu aprimoramento visto em todo o cenário thrash metal da Bay Area, toda a década de 80 foi marcada por uma lista inesgotável de bandas que encontram no Black Sabbath ou Led Zeppelin suas fontes de inspirações, e partiram daí para darem um passo além, e é numa dessas evoluções naturais que surge esse curioso subgênero.
Identificado pela união entre vocais guturais intercalados a passagens mais limpas, agressividade, riffs ágeis e com melodias vocais inimagináveis dentro do próprio death metal padrão, os mais puritanos podem receber com um certo estranhamento essa união até então inusitada, mas felizmente a tendência parecia ser ir além, e quando olhamos pra trás e vemos uma infinidade de bandas que resultaram dessa mistura, não há espaço pra reclamar.

Dentro da própria Escandinávia, a Finlândia também sempre foi outro país repleto de bandas que despontaram basicamente na mesma época, com Sonata Arctica, Nightwish e Stratovarius, e é nesse cenário que surge o Children of Bodom.


O virtuosismo graças às 6 cordas de Alexi Laiho parece ser um dos grandes diferenciais aqui, com sua voz rasgada que se destaca de todas as outras do estilo, conseguindo uma boa dosagem de fúria e agressividade, passando por momentos mais limpos. Certamente o grande destaque da banda reside no talento e dedicação de Laiho, reservando pra cada disco uma grata surpresa ao ser surpreendido por um bom catálogo de riffs certeiros.
No primeiro disco a identidade ainda não estava bem definida e, apesar de ser uma ótima estreia, ainda soa como um rascunho do que viria a seguir e, dois anos, depois o tom foi totalmente modelado no segundo álbum, “Hatebreeder”.

“Follow the reaper” continua exatamente de onde o seu antecessor parou e regressa a momentos inspirados com os teclados de Janne Warman assumindo forte protagonismo, servindo tanto como construção de atmosfera pra deixar o som mais incorpado ou com momentos de duelos junto às guitarras, é sempre imprevisível tentar adivinhar os rumos que as músicas irão tomar, e é puro deleite ouvir a pegada neoclássica nas guitarras.
Ouça “Hate me”, “Bodom after midnight” e as primeiras notas de “Children of decadence” e comprove.

“Follow the reaper”, assim como toda a primeira fase da banda – mais especificamente de 97 à 2003 – seguem firmes como discos versáteis, agressivos, melodiosos e com o frescor que gênero precisava.

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

Nenhum pensamento

  1. Bela análise resumiu bem o que foi o estilo infelizmente a banda praticamente toda se desfez e restou somente o Laiho, vamos ver o que ele tem reservado pro futuro.
    O disco que sucede esse é o meu preferido, sugiro falarem dele também por aqui.

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