75 anos de Ivan Lins – Um dos maiores músicos da nossa história

Neste ano, um dos maiores músicos não só do Brasil, mas do mundo, completou 75 anos de vida. Mas não só de uma mera vida, mas uma vitoriosa (como diz o título de uma de suas mais emblemáticas canções) trajetória repleta de sucesso, conquistas e muita, mas muita música boa e talento. O extraordinário Ivan Lins fez seu septuagesimo quinto aniversário e é óbvio que o “Entre Acordes” jamais poderia deixar passar batido uma data tão especial como essa. Para celebrar, resolvemos selecionar 5 dos mais incríveis discos que o mestre lançou durante sua brilhante caminhada. Tarefa extremamente difícil de realizar quando nos encontramos diante de uma carreira em que não faltam momentos geniais. Espero que gostem, principalmente você que ainda não teve a oportunidade de adentrar na maravilhosa obra de Ivan Lins. Esperemos que este pequeno guia te satisfaça e desperte em você o desejo de conhecer mais da linda musicalidade de um dos maiores mestres da história da música brasileira!

Estreia de Ivan Lins. Um trabalho muito influenciado pela Soul Music americana.

“Agora” (1970)

Após despontar no Movimento Artístico Universitário (MAU), Ivan Lins estreia com seu disco AGORA, lançado em 1970. Um disco que ainda não refletia o que viria a ser sua carreira, pois continha canções mais voltadas para o Soul, mas já era possível notar todo o talento e senso de composição espetacular de Ivan, principalmente no grande sucesso desse disco que foi “Madalena”, gravada com Elis Regina; “O Amor é o Meu País” também é outra grande música que merece ser ouvida com atenção. O disco conta com participações de Arthur Verocai, Márcio Montarroyos, entre outros músicos de primeira linha. Começou com o pé direito.

O trabalho mais aclamado de sua carreira. Clássico obrigatório!

“Modo Livre” (1974)

Quarto disco da carreira de Ivan Lins e muito provavelmente o mais aclamado até hoje. Com produção de Raymundo Bittencourt e arranjos do maestro Arthur Verocai, o LP marca a estreia da parceria do músico com o compositor Vitor Martins na clássica canção “Abre Alas”. O álbum mostra em sua ficha técnica um time da pesada de músicos nas gravações, os mais expressivos da MPB na década de 70, como Wagner Tiso, Robertinho Silva, Maurício Einhorn, Laércio de Freitas, Márcio Montarroyos, Miltinho, Aquiles Reis, entre outros. O trabalho traz ainda regravações de clássicos como “General da Banda”, “A Fonte Secou” e “Recordar é Viver”. Considerado um dos melhores discos da música brasileira dos anos 70, em “Modo Livre”, Ivan deixa de lado às influências da Soul Music e inicia um caminho sonoro mais voltado ao Samba/Jazz, sofisticando ainda mais o seu som e suas composições. É um daqueles álbuns obrigatórios para quem ama a MPB setentista.

Discaço mais subestimado de sua carreira. Considerado um de seus trabalhos mais difíceis e sofisticados!

“Chama Acesa” (1975)

Ivan Lins cresceu num ambiente que estimulou sua paixão pelo piano, o que o possibilitou que estudasse com muito afinco gêneros como Jazz, Samba, Choro e Soul, e foi exatamente isso que Ivan fez com muita maestria no maravilhoso disco “Chama Acesa”. Imprimindo influências de Fusion em suas belas harmonias, neste trabalho, Ivan estabeleceu com profunda visão e muito bom gosto, a levada Samba/Jazz que havia experimentado no disco anterior, e isso fez com que “Chama Acesa” soasse mais sofisticado e a frente de seu tempo das maiorias dos discos da MPB da época. Essa inovação musical acabou não resultando em sucesso comercial para o LP, mas em compensação, “Chama Acesa” é considerado hoje em dia como um dos melhores e mais ricos trabalhos da discografia de Ivan Lins. Um verdadeiro petardo Jazzistico que contém uma musicalidade e um alto nível de qualidade absurda!

Capa icônica. Ao lado de “Modo Livre”, pode ser considerado um de seus LPs mais conhecidos.

“Nos Dias de Hoje” (1978)

Após inaugurar uma fase de ouro na EMI-Odeon com o clássico “Somos Todos Iguais Nesta Noite” (1977), Ivan Lins apresenta uma face mais politizada em “Nos Dias De Hoje”. Desde a capa, que o retrata como um recém-preso, quase um mártir, o princípio da obra é claro: retratar as muitas angústias daqueles anos de chumbo. Da incrível parceria com o poeta Vitor Martins, surgem pérolas como a comunhão otimista de “Cantoria”, a belíssima balada “Aos Nossos Filhos” e a simplesmente estrondosa “Cartomante”, um dos maiores clássicos da carreira de Ivan e cujo primeiro verso inspirou o título do álbum. Fazendo uma crônica daquele Brasil incerto e assolado pela ditadura militar, mas sem perder a poesia e um tom de esperança, é com certeza um dos grandes discos da carreira de Ivan!

Fechando a década de 70 com perfeição. Excelente disco!

“A Noite” (1979)

A consolidação de um longo período de sucesso na carreira de Ivan Lins, “A Noite” pode ser considerada sua obra-prima. Aqui, ele atinge o ápice da maturidade como compositor, exprimindo com toda a fidelidade necessária os sentimentos mais variados. Ele soa como se tocasse num piano bar às altas horas da madrugada em baladas como a faixa-título e “Começar de Novo”, enquanto “Desesperar, Jamais” e “A Voz Do Povo” evocam a alegria e identidade Brasileira para, mais uma vez, atravessar aqueles tempos sombrios. Com canções atemporais embebidas em arranjos do mais puro ouro, “A Noite” é um disco indispensável!

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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