As Maravilhas do Porão de Big Pink – 45 Anos de “The Basement Tapes”

Pouco após o lançamento de “Blonde On Blonde”, no dia 29 de julho de 1966, Bob Dylan se envolveu num misterioso acidente de moto, e ficou um tanto desaparecido da vida pública por um tempo. Mas, enquanto Dylan se recuperava naquele verão de 1967, os Hawks, sua banda de apoio na época (que um ano depois se tornariam nossa querida The Band), se instalaram em sua casa nos arredores de Woodstock e passaram a trabalhar em novas canções. As sessões logo mudaram sua sede para a lendária “Big Pink”, de um caráter quase comunitário entre os membros da The Band e que foi o nascimento de algumas das melhores canções de todos os tempos.

Desse processo de gravação surgiram mais de 100 faixas, mas que acabaram não sendo lançadas na época. Mas começaram a surgir uma série de Bootlegs no decorrer dos anos, como o “Great White Wonder” (1969). Assim, logo após o lançamento de “Blood On The Tracks” em 1975, Dylan resolve autorizar o lançamento de uma coletânea contendo aquelas sessões. Mal se podia imaginar que essas gravações revelariam mais uma de suas obras-primas, em canções espontâneas, cruas, bem-humoradas e com os dois pés na música tradicional americana. Hoje, esse espetáculo completa 45 anos!

Além de canções das lendárias sessões de 1967, também temos por aqui 8 canções interpretadas apenas pela The Band, gravadas entre 1967 e 1975. Essa diferença não é sentida no álbum como um todo, que soa coeso em sua própria bagunça. A qualidade sonora é mais lo-fi do que o comum, o que mostra um outro lado de Dylan, completamente despojado e por muitas vezes hilário. Esse clima descompromissado, em combinação com a sonoridade completamente pautado nas raízes do Country/Americana, nos entrega canções do quilate de “Goin’ To Acapulco”, o bluesão safado de “Orange Juice Blues” ou a inesquecível “Tears Of Rage”, que se tornaria um clássico em “Music From Big Pink”, lançado pela The Band no ano posterior.

Fazer um faixa a faixa é praticamente impossível, mas fica o convite para mergulhar nessa que é mais uma das experiências Dylanescas de caráter único. Ela pode soar um pouco difícil em primeira instância, mas basta se permitir entrar na atmosfera para descobrir uma verdadeira obra-prima!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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