30 Anos de “Goo” – A Consolidação Mainstream do Sonic Youth

Após o triunfo absoluto e pedra fundamental do Rock Alternativo “Daydream Nation” (1988), o Sonic Youth expandiu incrivelmente seu público, e não demorou muito até que recebessem propostas de grandes gravadoras pela primeira vez em sua carreira. Assinados com a Geffen Records, eles, inevitavelmente, sofreram com a suspeita de que “se venderiam”, fazendo um som mais comercial. Mas “Goo” é na verdade um chamado à anarquia no Mainstream, continuando a saga vanguardista, agora com um misto de Cultura Pop, que tornava a banda tão única. Hoje, o disco mais bem-sucedido do Sonic Youth completa 30 anos!

Basta uma olhada na que é uma das capas mais icônicas e “cool” da história para saber que estamos diante de um disco fundamental, e a marca registrada da banda na estranha e hipnótica “Dirty Boots” já tem efeito irreversível. O trabalho de guitarra alternado de Thurston Moore e Lee Ranaldo soa afiadíssimo em suas atonalidades e afinações não tradicionais em faixas como “Mary-Christ”, as texturas incríveis de “Mote” ou a divertidíssima “My Friend Goo”, como é comum por aqui, recheada de ironia e referências à cultura Pop, que influenciou, mas não diluiu o ataque sonoro da banda.

Kim Gordon também é um destaque absoluto no disco, protagonizando o que é o maior hit por aqui, a incrível “Kool Thing”, uma sátira ácida e confrontadora às expectativas criadas no papel das mulheres na sociedade, inspirada numa constrangedora entrevista que Gordon deu ao Rapper LL Cool J, em que os dois não pareciam se entender muito bem. Com a participação de Chuck D (Public Enemy) e um clipe veiculado à exaustão na MTV, a canção se tornou um clássico. Já em “Tunic (Song For Karen)”, Gordon discorre sobre a auto-estima feminina, pegando como exemplo a anorexia de Karen Carpenter. Até os últimos segundos da explosão atonal de “Titanium Expose”, é uma obra irretocável!

Mais do que a chegada do Sonic Youth ao mainstream, “Goo” é a prova de que o poder revolucionário da banda não poderia ser enjaulado por qualquer ambição mercadológica. Assim como, 30 anos depois, seu impacto permanece o mesmo!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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