O ponto alto de Danzig: 30 anos de “Lucifuge”

Ainda essa semana, poucos posts atrás, pudemos falar sobre Glenn Danzig, passando pela sua breve e relevante passagem pelo Misfits – que levou seu nome a um outro patamar – chegando no carreira solo e nos dias atuais.
O auge parecia ter chegado cedo, já com o excepcional disco de estreia, mas apenas dois anos depois, em 1990, o homem parece repetir tal feito, e aqui abrimos um parênteses pra focar neste que, por muitos, é considerado o ponto alto de sua carreira.

Se no debut tínhamos uma sonoridade crua, agressiva e direta ao ponto, com “Lucifuge”, podemos dizer que as coisas não se distanciam muito disso, mas ficam mais elaboradas, as guitarras e bateria parecem estar em maior sintonia, mantendo a atmosfera do debut, e com a enorme façanha e proeza de conseguir tirar riffs de guitarra calcados no blues e com um pé no heavy metal, sem soar indigesto.

Assim como na estreia, não há um único momento desperdiçado e que faça hora extra, seja momentos mais calmos, como “I’m the one” ou “777” quanto em passagens reservadas para guitarras distorcidas ou acústicas, com a produção de Rick Rubin realçando e deixando o som mais cristalino, mas sem tirar a crueza necessaria nos momentos certos, vide a poderosa faixa de abertura, “Long way back from hell”, uma das canções mais brutais de Danzig. A produção é novamente um acerto, e o que soava bom agora ganha um brilho extra, conseguindo se superar e tirar o melhor som possível dos instrumentos, com destaques visíveis pra guitarra de John Christ e na bateria de Chuck Biscuits. Toda a banda parece mais afiada e bem mais à vontade, com o senso de unidade transparecendo.

Com um repertório mais eclético, ampliando mais as influencias e deixando o trabalho o mais variado possivel, o feeling aqui é bem mais evidente, quase como se Elvis Presley, Roy Orbison e Johnny Cash tivessem se unido e incorporado em Danzig.

Hoje em dia é quase consensual que o nome de Danzig não consegue mais deixar o ouvinte esperançoso e ávido por algo relevante que possa surgir; salvando-se um ou outro momento, mas sempre teremos essa brilhante fase inicial à disposição.

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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