“Mamonas Assassinas” – 25 anos de um meteórico e gigante fenômeno

Há exatos 25 anos, era dado o ponto de partida para o acontecimento de algo que se tornaria um dos maiores fenômenos da história da música brasileira: o lançamento do homônimo, primeiro e único disco da banda “Mamonas Assassinas” (1995).

A banda formada por Dinho (vocais), Bento Hinoto (guitarras), Samuel Reoli (baixo), Sérgio Reoli (bateria) e Júlio Rasec (teclado) com seu Rock And Roll cômico e cru, conquistaram o Brasil de uma forma gigantesca e meteórica como não se via desde os tempos de outros grandes fenômenos como Secos e Molhados e RPM. O álbum auto intitulado da banda mais parece uma coletânea tamanho o sucesso que cada faixa fez em todo o país. Em todo lugar, as músicas dos Mamonas Assassinas atraíam, encantavam e divertiam pessoas de diferentes culturas e faixas etárias, e isso foi um fator determinante para que o grupo dominasse as audiências das maiores rádios e emissoras de TV da época.

Falando sobre o álbum em si, na abertura já somos agraciados com “1406”, um Rockão de meter os dois pés na porta, com um riff de guitarra feroz e sensacional e slaps de baixo contagiantes. A brincadeira com o inglês no refrão é impagável e super criativo. “Vira-vira” é uma brincadeira com a famosa canção do cantor luso Roberto Leal, e apresenta uma letra de humor escrachado que fazia a garotada rir descontroladamente. “Pelados em Santos” já na época, se tornou a música mais famosa do grupo. A letra boba e infantil, talvez possa causar até constrangimento hoje em dia, mas o clima Reggae/Pop nos versos e a explosão Rock no refrão cativou a todos, fazendo todo mundo pular e cantar alucinadamente. A divertidíssima “Chopis Centis” é um Punk com clara referência a mega clássica “I Should Stay Or Should I Go” do The Clash, e também se tornou uma das músicas mais marcantes e inesquecíveis do repertório da banda. “Jumento Celestino” é outra excelente e hilariante faixa em que a banda mistura Rock, Baião e Forró de forma incrível e criativa, fazendo uma zuera super bacana com Genival Lacerda e a música nordestina em geral.

Seguindo pelo disco, ainda se encontra outras faixas sensacionais como “Bois Don’t Cry” (paródia das canções sertanejas/bregas dos anos 80 e 90), “Mundo Animal”, Cabeça de Bagre II” (Outro Rockão incrível, particularmente uma das minhas preferidas), “Arlinda Mulher”, além de clássicos como “Robocop Gay”, “Debil Metal” (faixa mais pesada da banda, com uma performance incrível do grande guitarrista Bento Hinoto), e faixa de encerramento do disco, “Lá Vem o Alemão” (mais uma zuera engraçadíssima em que a banda mistura Rock com o Pagode mela cueca dos anos 90).

Os Mamonas Assassinas conquistou tudo o que uma banda poderia conquistar com o lançamento de um primeiro álbum. A forma extremamente talentosa e criativa que o grupo usou o Rock And Roll para parodiar e misturar com outros gêneros como o Forró, Pagode e Sertanejo fascinou a todos. Não é a toa que o trabalho vendeu mais de 2 milhões de cópias, tornando-se um imenso e instantâneo sucesso, conquistando uma legião de fãs por todo o Brasil. Infelizmente, um acidente terrível e trágico arrancou as vidas alegres e produtivas dos cinco rapazes do grupo. Mas como o principal intuito aqui é celebrar os 25 anos desse curto porém impactante legado, o pedido que faço aqui é que vocês peguem este disco, o botem pra tocar e convidem a família pra dançar e dar boas risadas com as músicas impagáveis desse gigantesco e rápido fenômeno que passou pelo Brasil como um grande cometa. Os Mamonas Assassinas foram como um sonho bom daqueles que a gente não quis acordar, mas que infelizmente tivemos, para encarar a dura realidade. Mas é reconfortante saber que pelo menos ainda temos o grande trabalho que a banda nos deixou, assim poderemos manter viva a memória de um dos mais fenômenos culturais que a música brasileira já atravessou.

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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