Glenn Danzig: 65 anos de um ícone do punk

Glenn Danzig já havia causado impacto suficiente na música mesmo se optasse por parar com a carreira após desavenças já no segundo disco do Misfits, mas sua história musical parecia estar só nos primeiros capítulos.
Em 1982, ano que marca o lançamento de “Walk among us”, o punk já não parecia ser mais nem sombra do que fora no seu período mais prolifero, apenas alguns poucos anos antes, apesar de ter fortes nomes despontando e novas bandas surgindo. Com a proposta de beber diretamente da fonte de Ramones e Sex pistols, unindo influências de filmes de terror lado b e ficção científica, na temática e no visual, soma-se isso a uma atmosfera aterrorizadora – que posteriormente teria contribuição pro rock gótico – e a uma dose extra de velocidade, e o que nasce é o Misfits.

O disco de estreia se destaca por possuir músicas que ao todo transpassam um pouco mais de 20 minutos, servindo de forte influência pra bandas que surgiriam depois, desde dentro do próprio seguimento do punk, quanto no heavy metal; é impossível não lembrar da forte influência em bandas como o Metallica, que chegou a regravar alguns de seus clássicos, como “Die die my darling”, com James Hetfield sempre citando como um dos grupos que mudaram sua vida.

Se o movimento punk foi marcado por seu engajamento social, político e crítico, o que temos aqui soa como uma banda pouco preocupada com questões mais sérias e usa todo espaço das letras para se dedicar ao que mais parece ter saído de uma exposição de antologia fantástica, passando desde invasões alienigenas, vampiros, aparições de fantasmas e ataques de zumbis. Com músicas repletas de velocidade, pouca variedade e muita energia, é algo indispensável pra qualquer entusiasta ou fã, de punk rock ou o rock como um todo.
O segundo e último disco com o Misfits veio logo na sequência, marcando uma passagem rápida, mas deixando feitos que até hoje permanecem com a mesma força. “Earth A.D/Wolfs blood” não se afasta muito da estrutura anterior, mantém o bom humor e parece ainda mais rápido em algumas músicas.

Após a conturbada saída do Misfits, passando pelo Samhain, era chegado o momento de se dedicar a uma carreira solo e 1988 era o ano de um dos discos mais viscerais da década e dos mais consistentes álbuns de estreia.
Com sua voz potente com influência de Elvis, Jim Morrison, ora com traços de blues, ora mais agressiva, se destacando facilmente sobre qualquer instrumental, Glenn Danzig expõe todas suas particularidades num trabalho que elevou seu nome à outros patamares, com a presença de ótimos músicos, como John Christ e Chuck Biscuits, contando também com a produção do versatil Rick Rubin, capaz de extrair o melhor do grupo. Com riffs simples e diretos, sem rodeios, a estreia alcança outros públicos e domina a MTV com o single de “Mother”.

Além de sua bem sucedida carreira solo, Danzig atuou em pequenos papéis e é editor de revistas de quadrinhos.

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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