Neil Young e o lado triste do amor: 45 anos depois, Homegrown é lançado.

FINALMENTE! Após 45 anos de espera, Homegrown, disco do nosso saudoso NEIL YOUNG, saiu da gaveta e viu a luz do sol. Originalmente gravado em 1975 – seria o sucessor de On The Beach (1974) – Young postergou (até demais) o lançamento do álbum devido ao término traumático com sua esposa, na época, Carrie Snodgrass, e justamente pelo fato das letras, em sua maioria, abordarem esse lado maléfico do amor que tanto assolou Neil, ele decidiu guardá-lo e lançar apenas quando estivesse em condições de conseguir escutar essas músicas de novo e poder trabalhá-las melhor.

O time de músicos que integra Homegrown é digno de destaque, fica até difícil imaginar algo ruim quando caras do quilate de Levom Helm e Robbie Robertson (The Band) e Ben Keith, seu fiel escudeiro, e que também tocara com Ringo Starr e Bob Dylan, deram suas contribuições para abrilhantar ainda mais a sublime carreira desse canadense extraordinário que é Neil Young. Falando um pouco acerca do álbum, eu diria que ele é apenas bom, ficando bem aquém do lançamento mais recente dele, Colorado, que é um disco espetacular; em Homegrown, além do clima mais pesado e triste por conta das letras, é nítido que Young passava por uma fase complicada de sua vida, e isso, naturalmente, seria refletido no disco. Sobre toda essa demora, disse Neil:

Eu peço desculpas. Esse álbum ‘Homegrown’ deveria ter estado lá para vocês alguns anos após o ‘Harvest’. É o lado triste de um caso de amor. O dano adquirido. A dor no coração. Eu simplesmente não conseguia ouvi-lo. Eu queria seguir em frente. Então eu o guardei para mim, escondido no cofre, na prateleira, nos fundos da minha mente… mas eu deveria tê-lo compartilhado. É bonito, na verdade. É por isso que eu o fiz em primeiro lugar. Às vezes a vida machuca. Vocês sabem o que eu quero dizer. Esse é aquele que escapou.”

Todavia, jamais dá pra dizer que se trata de um trabalho ruim, pelo contrário, há bons momentos como a faixa de abertura ”Separate Ways”, com a tradicional gaita tão usada por Young; a belíssima balada ”Mexico”, que conta ‘apenas’ com a doce voz de Neil e piano, se não tiver com a caixa forte, lágrimas podem rolar. ”Love Is a Rose” poderia facilmente fazer parte do Harvest, todo o clima bucólico e delicado que a canção apresenta.

NY2

Embora dominado por violão e piano, Homegrown tem espaço para um petardo de Rock and Roll como ”Vacancy”, uma música, eu diria, surpreendente; a impressão que nos passa é que nessa faixa ele resolveu colocar pra fora toda a amargura que estava sentindo, e o fez de maneira bem agressiva, canção liderada pelo riff distorcido da guitarra de Robbie Robertson.

Longe de ser um dos seus melhores trabalhos, mas também é muito bom ver alguém consagrado ainda ter forças e energias para lançar bons discos – ainda que este já estivesse pronto. Uma coisa eu vos digo: Neil Young tem errado muito pouco nesses últimos anos, e, em Homegrown, podemos dizer que o canadense conseguiu passar de ano mais uma vez.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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