“Theatre of pain”: 35 anos do periodo mais conturbado do Motley Crue

Após a sequência bem sucedida de dois albuns que viriam a se tornar referencia de sonoridade do hard da década de 80, o Motley Cue vivenciou momentos dificeis que quase levaram ao fim da banda.
Durante o período de gravação de “Theatre of pain” o clima estava extremamente desgastado, com usos abusivos de drogas e, posteriormente, o infeliz envolvimento de Vince Neil no acidente de carro que vitimou o baterista do Hanoi Rocks, em dezembro de 1984, soma-se isso ao fato de Nikki Sixx (baixista e principal compositor) estar cada vez mais afundado no vicio em heroína.

Era um período nebuloso pra banda e, ao olhar pra trás, os próprios integrantes parecem não entender como eles não simplesmente penduraram as luvas e desistiram de tudo, como é bem retrato na cinebiografia The Dirt, produzido pela Netflix, no ano passado.
O disco é um reflexo de um banda traumatizada por conflitos sem saber qual caminho seguir, e principalmente ter a árdua missão de superar o incrível “Shout at the devil”, seu segundo e melhor disco da carreira, marcado por riffs rápidos, refrães marcantes e solos cheios de melodias.
“Theatre of pain” acaba por abandonar toda a agressividade e energia dos álbuns anteriores, os riffs cheios de vida de Mick Mars foram deixados de lado ao ponto de parecer se tratar de outro guitarrista.
Parecendo abraçar de vez um som mais pop e acessível, se aproximando mais da sonoridade de bandas que alcancariam maior visibilidade nos próximos anos, lembrando os momentos mais pops de bandas como Warrant e Cinderella; isso não seria um problema se as composições fossem inspiradas, mas a falta de entrosamento da acabou refletindo na sonoridade com poucos momentos marcantes.

Se nos primeiros registros o Motley crue causou um enorme impacto no cenário do hard rock, o terceiro disco não consegue alcançar grandes feitos, sendo um reflexo de todos os percalços e sombras que pareciam pairar sobre a banda. Mas nem tudo são baixas, com otimo cover “Smokin’ in the boys’ room”, do Brownsville Statio e a linda balada “Home Sweet home”, dois singles expressivos que captam os bons momentos do álbum.


Hoje em dia os próprios integrantes reconhecem que esse não era seu momento mais inspirado da carreira, capazes de fazer uma autocrítica e deixando o disco pra escanteio. Apesar dos pesares, “Theatre of pain” alcançou ótimas posições nas paradas americanas e britânicas, e sua turnê continuou um sucesso.

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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