“Flesh and blood”: o Poison nos anos 90

Dentre a bandas de hard rock da California nos anos 80, como Ratt, Dokken, Motley crue e warrant, o Poison parece ter sido a que mais colecionou desavenças, tanto no próprio estilo musical quanto em gêneros considerados “rivais”, despertando o ódio em headbangers, claramente ressentidos por perderem espaço e ter seu som cada fez mais deixado de lado pela explosão massiva da nova cena glam que despontava, causando rivalidade, intrigas e invejas. A década anterior ao lançamento de “Flesh & blood” foi marcada por esses conflitos.

Aqui o Poison tinha um desafio pela frente: tentar se firmar e continuar relevante numa década onde as coisas não pareciam mais tão fáceis assim pra música que faziam, o olhos das gravadoras estavam agora apontados pra outras direções, não tinham mais o apoio da mídia e toda aquela festa espalhafatosa de glitters, roupas chamativas, androginia e cabelos coloridos pareciam ser o cúmulo do ridiculo.

Após atingir o sucesso quase que imediato com o vigoroso “Look what the cat dragged in”, já causando controvérsias de desde a capa, ao superar o preconceito e estranhamento inicial causada pelo visual espalhafatoso, o ouvinte terá grata surpresa com um dos mais belos discos do rock característico da década de 80, com lindas melodia pops e 3 singles de enorme visibilidade, vendendo mais de 20 milhões de discos só com os primeiros álbuns.


Os excessos da década de oitenta ficaram pra trás e era hora de, sobretudo, tentar sobreviver a um mercado cruel e sedento por novidade, mas tendo conhecimento disso e não se sujeitando a mudanças radicais, o Poison opta simplesmente por cortar as arestas de alguns exageros e se ater a um hard rock simples e direto, e a escolha parece ser certeira.

Com músicos cientes do fato de não serem grandes instrumentistas, o cuidado com a técnica pareceu nunca existir, mas nunca foi algo que fizesse diferença primordial. O primeiro single “Unskinny Bop”, conta com a voz de Bret Michaels se destacando ainda mais e soando mais orgânica que nunca; musicalmente o que temos é um básico e bem feito disco, com letras que parecem ter amadurecido, vide “Valley of lost souls”, “Life loves a tragedy” e Something to believe in”

Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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