25 anos de “HIStory” – A Autobiografia musical do Rei do Pop

Em 1995, Michael Jackson já havia quebrado diversos recordes em sua carreira. Até então com 35 anos de idade, já tinha mais de 25 anos só de carreira profissional, já sendo há um bom tempo plenamente reconhecido como o Rei do Pop, além de já ser considerado uma verdadeira lenda dentro de seu próprio tempo, muito merecidamente é claro. Tendo atingido o status de não ter que precisar provar mais nada a ninguém, justamente neste mesmo ano, ele lançaria um dos principais discos de sua trajetória e que é reconhecido hoje como a obra musical mais confessional de sua vida: O ótimo “HIStory – Past, Present And Future Book I”.

Logo após o imenso sucesso do excelente “Dangerous” (1991), Michael voltaria a trabalhar na linha de frente como produtor e compositor em um novo álbum, que se estabeleceria como o projeto mais profundo, político e autobiográfico de sua carreira. Musicalmente falando, as influências da Black Music americana ainda se fazem muito presente, mas desta vez se uniriam com mais ênfase em gêneros mais modernos e urbanos como o R&B, Hip Hop e New Jack Swing, além de outras experimentações muito interessantes da qual Michael ainda não havia tentado em sua música.

O repertório é fantástico e conta com um quantidade considerável de canções que se tornaram classicos indiscutíveis de seu catálogo, o que já pode ser comprovado logo nas três primeiras faixas, com a abertura “Scream”, um sensacional dueto com a irmã Janet Jackson numa sonoridade Funk Rock eletrônico frenético e raivoso. “They Don’t Really Care About Us” contém elementos de Hip Hop, Rock e Axé, e se tornou um dos mais poderosos hinos contra a desigualdade social, racismo e brutalidade policial (como também não se lembrar do icônico vídeo gravado no Brasil com a participação simplesmente incrível do grupo Olodum), enquanto que “Stranger In Moscow” é uma lindíssima balada envolta em uma cama de sintetizadores, teclados e delicadas guitarras com uma forte letra que aborda a dor da solidão, que a tornam uma das melhores e mais profundamente inspiradas composições de sua carreira.

“This Time Around”, “Money” e “2 Bad” são as que mais aproximam o som de Michael ao Hip Hop, com grooves pesadíssimos. A primeira destas conta com um grande verso de um dos maiores rappers de todos os tempos, o lendário The Notorious B.I.G. Outras ótimas partes do trabalho ficam por parte da provocativa “Tabloid Junkie”, onde em cima de uma percussão mais uma vez construída no beatboxing de Michael, ele canta contra a mídia de notícias e a crescente tendência dela por sensacionalismo, exploração e desinformação por meio de exuberantes harmonias vocais. Batidas afiadas de Funky Rock também surgem em D.S. (que conta com um ótimo solo de guitarra do grande Slash) e no excelente cover de “Come Together” dos Beatles.

A lindamente inspirada “Earth Song”, pode ser considerada como o grande momento de todo o disco. Uma espécie de mini Opereta Pop Gospel, que apresenta uma melodia extremamente tocante, letra poderosa e corais arrebatadores, que a tornam a música mais impactante socialmente do repertório de Jackson, onde ele canta claramente sobre suas preocupações com diversos problemas do mundo como a fome, violência e crimes contra o meio ambiente, e de como isso afeta a vida da humanidade. Outras pérolas que merecem destaques são as três últimas faixas do álbum que finalizam o trabalho em alto nível. Primeiramente com a faixa titulo, que apresenta um Soul groovado de proporções épicas e letras inspiradoras. A aterrorizante “Little Susie” é uma incrível balada clássica com um tom meio erudito e é certamente uma das faixas mais diferentes e experimentais que Michael já compôs e gravou, tanto que muitos críticos ficaram simplesmente perplexos que uma “miniópera” sobre um assunto tão sombrio pudesse aterrissar em um álbum Pop mainstream. Já a maravilhosa “Smile” (composta pelo lendário Charlie Chaplin), é um lindíssimo tema Jazz Vocal em que Michael apresenta uma interpretação espetacular numa profundidade emocional absurda, como se a estivesse cantando no paraíso na sala ante Deus.

“HIStory” é sem dúvidas um dos mais ambiciosos lançamentos da carreira de Michael, não é toa que detém o recorde de disco duplo mais vendido da história. Aqui, o cantor e compositor se vê livre para soltar suas dores, frustrações e ira sem pudor, de uma maneira como nunca havia feito antes, assim como também para realizar experimentos musicais que não se ouvia em seus discos anteriores, sendo também com certeza o disco mais pessoal de Michael Jackson. Desde a fúria ardente de “Scream” à dolorosa vulnerabilidade da linda “Childhood”, o álbum é nas próprias palavras de Jackson, “um livro musical”. O resultado para alguns, pode ter sido um pouco dissonante. Eles queriam o “velho” Michael Jackson das melodias calorosas e joviais e das letras que estimulam a dança. Apesar disso, “HIStory” é sim um grande trabalho do saudoso Rei do Pop. Um excelente disco que começa com um raivoso grito e termina com um singelo sorriso.

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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