110 anos de Howlin’ Wolf – Os uivos raivosos do Blues

Há 110 anos atrás, o mundo era agraciado com o nascimento de Chester Arthur Burnett, mais popularmente conhecido como Howlin ‘Wolf, uma verdadeira lenda, um incrível mito, que projetou o poder elementar do Blues através de sua impressionante voz selvagem, cavernosa e poderosa, juntamente com uma guitarra elétrica e uma gaita, que juntos, provocam sensações arrepiantes em qualquer devoto do gênero. Ele foi um dos principais contribuintes para a evolução do Blues elétrico de Chicago, e que consequentemente, influenciaria fortemente o Blues/Rock e o Rock And Roll.

Wolf nasceu em 1910 na região do Mississippi, já demonstrando um interesse precoce pela música ao cantar no coral da Igreja. Lá, ele também ouviu muitos dos grandes nomes do Blues do Delta em festas locais, o que encorajou seu pai a lhe dar um violão, sendo que aos 18 anos, ele já estava recebendo aulas do lendário Charlie Patton. Em 1933, ele também teve a oportunidade de conhecer o mestre da gaita, Sonny Boy Williamson, que lhe ensinou os rudimentos básicos do instrumento. Logo após, Howlin’ começou a se apresentar como um performer do estilo mais acústico tradicional do Delta Blues, mas até o final da década, ele já estaria tocando com uma guitarra elétrica. A experiência de tocar em bares e nas rua de todo o Delta, permitiu com que Wolf cruzasse o caminho com quase todos os músicos regionais importantes da época, inclusive com o antológico Robert Johnson.

Logo no início dos anos 40, acabou sendo convocado para o Exército em 1941 e sendo dispensado em 1945. Em 1948, voltou a se comprometer firmemente a música, apresentando até mesmo seu próprio programa de rádio semanal. Aqui, ele passaria a utilizar o icônico nome “Howlin’ Wolf”, que era claramente apropriado para seus gritos e uivos. Através deste programa, ele chamou a atenção de Sam Phillips, um produtor responsável por descobrir astros como Elvis Presley e Jerry Lee Lewis e em 1951, Phillips levou Howlin’ ao seu estúdio em Memphis para duas grandes gravações: “How Many More Years” e “Moanin’ at Midnight”. O compacto de 78 rotações vendeu 60.000 cópias, um sucesso bastante significativo. Após um conflito contínuo com a gravadora, Wolf finalmente se estabeleceu na mítica Chess Records de Chicago em 1953, e um novo grupo de colaboradores se juntou à Howlin’, e o ajudariam a criar o som que redefiniria o Blues, com particular ao grande guitarrista Hubert Sumlin, considerado uma das maiores influências de praticamente todo grande guitarrista de Blues que surgiria posteriormente.

O sucesso de Wolf continuaria com bastante intensidade ao longo dos anos 50, devido a clássicos singles como “Evil” e “Smokestack Lightnin”, sendo que ambos se tornaram sólidos hits nas paradas de R&B em 1956, até que em 1960, Howlin’ iniciou uma colaboração de longo prazo com o principal compositor da Chess e outra figura lendária do Blues, o grande baixista Willie Dixon. Em meados da década de 60, sua influência sobre outros músicos, em particular sobre bandas de Rock, tornou-se mais pronunciada, pois neste mesmo período, bandas históricas como Cream, The Doors e Led Zeppelin começaram a gravar as composições de Wolf, e com isso veio a exposição a um público maior e diferenciado.

Howlin’ Wolf é sem sombra de dúvidas um dos mais icônicos, importantes e significativos músicos da história do Blues. Além de ser autor e intérprete de grandes canções que se tornaram verdadeiros standarts do gênero, seus discos sensacionais como “Moanin’ In The Moonlight” (1958), “Howlin’ Wolf” (1962, o clássico disco da cadeira com o violão) e “The London Howlin’ Wolf Sessions” (1971, este contém um timaço de primeira linha com músicos do calibre de Eric Clapton e Steve Winwood) são considerados verdadeiras discotecas básicas para qualquer fã apaixonado do Blues. Além disso, seu estilo, composições e gravações continuam a inspirar inúmeros artistas até hoje, e sua voz rouca e distinta de qualquer outra, além de traduzir com perfeição o lamento triste e raivoso dos negros nos campos, também pode ser ouvida em cada batida da música negra urbana e do moderno Rock And Roll, provando que a imensa influência do genial legado deixado por Howlin’ Wolf jamais será esquecido.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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