A Beleza Gótica de uma Obra-Prima – 25 Anos de “Draconian Times”

O Paradise Lost contraria algumas lógicas musicais. Enquanto algumas bandas já nascem prontas, eles passam por eternas metamorfoses, sendo até difícil saber qual sua forma final. Mesmo em sua fase inicial dominada pelo Death/Doom, eles inovaram com as texturas sombrias de “Gothic” (1991), e ao longo dos anos foram deixando o peso e os guturais do Death Metal de lado para um som mais acessível e que abraça de vez o Metal Gótico no espetacular “Icon” (1993). Em 1995, eles lançam “Draconian Times”, sua obra-prima e o auge da comercial da banda, que está celebrando hoje exatos 25 anos!

O piano soturno na intro do clássico “Enchantment” já encapsula muito do que ouviremos por aqui. A estética sonora gótica é entregue em canções que, apesar do experimentalismo, são muito diretas. Os vocais de Nick Holmes, ora rasgados à la James Hetfield, ora um barítono profundo e arrepiante, são complementados pelo excelente trabalho guitarrístico da dupla Gregor Mackintosh/Aaron Aedy, com texturas e arpejos com certa influência do Shoegaze, mas sem abrir mão do peso.

A banda sabe como ninguém criar climas, e aqui, a atmosfera, apesar de soturna, não tem toda a tristeza obsessiva do Doom, num misto perfeito entre morbidez e beleza. Porradas como “Hallowed Land” e “Once Solemn”, com ritmos um pouco mais acelerados, destacam o excelente trabalho de bateria do estreante Lee Morris, além dos solos sensacionais de Mackintosh. Entretanto, o som mais “arrastado” de outrora não fica de fora. “Forever Failure”, minha favorita do álbum, soa descendente, pesadíssima, assim como a cadência irresistível de “Hands Of Reason”. Ao fim dos arpejos acústicos de “Jaded”, é fácil concluir que estamos diante de uma obra-prima, sem nenhum momento esquecível.

“Draconian Times” foi um enorme sucesso, e se tornou o maior êxito comercial do Paradise Lost. Acima de tudo, é seu disco mais maduro, e uma bíblia para qualquer banda de Metal Gótico que viria a seguir. 25 anos depois, sua massa sonora ainda nos encanta!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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