“Uprising”: 40 anos da despedida de Bob Marley

Lançado há 40 anos, “Uprising” é o último registro da carreira do maior expoente do reggae e o principal representante por difundir o estilo, não só pela Jamaica, mas pelos quatro cantos do mundo. Hoje em dia, Bob Marley já tem sua figura reconhecida com uma áurea mística, por vezes associada ao mesmo grau de importância e mesmo panteão de artistas como John Lennon ou Jim Morrison. Deixando um legado de 12 discos de estúdio e um dos melhores ao vivos da música, o cantor perde a Batalha contra o câncer em 1981, com apenas 36 anos; mas antes, voltemos alguns meses antes pra discorrer sobre o seu derradeiro álbum.

Bob Marley usava do seu reggae como um caminho para, por vezes, flertar com outros gêneros como rock, jazz e funk, e aqui isso é bem evidente em algumas faixas, o disco funciona como um claro registro do último período da vida do músico, e apesar de não seu melhor trabalho, não podemos dizer que passa longe disso, pois daqui saíram pelo menos 3 de suas melhores composições e todo o restante continua soando bem conciso. Vindo há não muito de um dos seus melhores trabalhos, seu engajamento político parecia estar no auge 3 anos antes – em Exodus, de 77 – mas aqui a coisa não é muito diferente, cumprindo a promessa feita que ainda teria muito a dizer, na faixa ”So much thing to say”, e aqui, ouvindo esse registro, podemos atestar a veracidade da letra. Seja cantando sobre seus alicerces políticos, filosóficos, pregando a paz por toda a humanidade, a opressão dos menos favorecidos, narrando o assassinato de um xerife ou sobre esperar em vão por um certo amor, Bob Marley sempre foi um exímio intérprete. O primeiro single escolhido foi ”Could you be Loved’, e não poderia ter sido mais assertivo, evidenciando a produção limpa e polida, dando destaque a todos os instrumentos, usufruindo do que uma produção da década de 80 poderia proporcionar. Por último e não menos importante, parecendo ter plena noção do que o poder de uma faixa de encerramento tem – e aqui ganhando uma dimensão ainda maior – ‘Redemption song” aborda o privilégio de ser uma criatura absolutamente livre e desprovido de âncoras, o que ganha maior força ao saber que foi escrita por alguém que já tinha noção do quão efêmera era a vida e que, talvez, sua passagem não estivesse tão distante.

Ciente de suas limitações, não alheio ao fato que em breve sua saúde não poderia estar em condições de aguentar o pique dos shows, a turnê do disco foi a mais bem sucedida da carreira, contando com o maior número de shows já marcados num menor espaço de tempo, dado o sentimento de urgência em propagar sua mensagem. E hoje, bem como sempre que ouvimos sua música sendo reproduzida por todas as gerações, não há dúvidas que essa mensagem foi passada e ecoará para sempre.

Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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