Como o Talking Heads abraçou o pop: 35 anos de Little creatures

O disco lançado pelo quarteto americano que tem como líder David Byrne completa hoje 35 anos. A banda, que lançou pelo menos três álbuns que foram influentes para o punk rock, pós-punk, new wave, indie rock e música eletrônica, formando toda essa miscelânea de estilos.
O Talking Heads nasce quando o famigerado punk despontava na famosa CBGB, mas eles seguiam um caminho quase que oposto, apesar de compartilharem vários elementos. Tendo uma estréia concebida no seminal ano de 77, as pessoas tinham uma certa dificuldade de inseri-lo em algum segmento; não era tão visceral e cru como os Ramones, nem tão técnicos quando Television, mas era possível achar um elo entre os dois, a banda então resolve trilhar por um caminho mais colorido da new wave.

Era difícil de se rotular esse tipo de som, que ao mesmo tempo que cativava, causava um ainda natural estranhamento diante de rock dançante, a sensação de alegria derivada do som, sem a melancolia presente das bandas do pós punk, num cenário onde “Marque moon”, do Television ganhava cada vez mais notabilidade e, posteriormente, “Entertainment” do Gang of four. Conforme se aproximava da década de 80 o grupo ia se encorpando, ganhando mais contornos experimentais, um uso mais bem explorado nas guitarras e ritmos, com arranjos mais preenchidos, vide “Remain in light”, com seus ritmos caribenhos.

“Little creatures” é um bom resumo das guitarras limpas características da new wave, junto com seus álbuns antecessores, nos faz cogitar o que seria hoje de grande parte das bandas alternativas pós anos 2000 se algo como Talking Heads não houvesse dado as caras. Sem se enveredar por camadas complexas, o foco aqui parecia ser consensual, com um direcionamento bem mais simples , não havendo espaço para experimentação, nada além de um disco pop de fácil assimilação auditiva. E o que temos é um disco calmo, priorizando mais as letras de Byrne, com canções mais simples, estruturalmente falando, pouco lembrando o som outrora feito em “Psycho killer”. As música parecem não ter pressa de ir aonde querem chegar não há momento catártico nem andamento imprevisíveis. Um disco modesto, aparentemente tímido, mas repleto de charme.

“And she was”, “Creatures of love” e “The lady don’t Mind são os três carros-chefe do disco e talvez as mais lembradas. A primeira é faixa que ganhou enorme repercussão entre os fãs aqui no Brasil, “Give me back my name” seguindo um aspecto mais pessimista, “Road to Nowhere” com seus efeitos eletrônicos “Creatures of love” com sua singela introdução e suaves melodias de teclado ou os seis minutos de “Television man”, com seus ótimos backing vocals, é evidente que aqui é feito com esmero um álbum palatável pra todos os públicos. Talvez seja injusto comparar esse disco de 85 aos trabalhos mais notáveis e aqui nem todas as faixas sejam de alto nível, mas não deixa de ser um disco agradável e que alcança uma boa posição no ranking da discografia

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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