Os 30 anos da estreia enérgica do Damn Yankees

Em 1990, nomes de peso e figuras carimbadas da música se juntaram com a proposta de embarcar num som um pouco diferente do que faziam com suas respectivas bandas. O já veterano Ted Nugent, Tommy Shaw (Styx), Jack Blades (Night Ranger) unem forças com a simples finalidade de fazer música numa época efervescente para o hard rock que havia sido remodelado e apresentado ao mundo na última década. Cabe aqui relembrar, a fim de um breve contexto, que poucos anos antes o W.A.S.P havia eclodido, o Europe seguia em uma ascensão astronômica e radiofônica com “The final countdown”, e, no mesmo ano, o Skid Row despontava com pelo menos 3 hits com sua estreia, bem como o Motley crue era puros elogios com um dos melhores discos da carreira, “Dr Feelgood”.
Se a direção da sonoridade foi algo premeditado ou não, não sabemos, mas o resultado sonoro dessa união vai na linha do que estava em voga na época, queira você chamar de sleaze, glam, ou simplesmente rock oitentista, porém, com uma preocupação maior com o instrumental e não se rendendo à certos clichês. Tendo como um dos pontos de partida e surgido como uma certa resposta e antítese ao movimento hippie de outrora, o Damn Yankees não se encaixa tanto nessa proposta mais marcado por excessos, seja na nas cores, visual, videoclipes ou nas letras. O disco de estreia não necessariamente se aproxima do som que o Styx ficou conhecido a associado, se distanciando ainda mais do rock n roll cru de Ted Nugent, talvez os elementos que mais sejam reconhecidos sejam os do próprio Night Ranger. O que podemos ouvir nesse debut é um retrato da sua época, indo na veia das melodias, sem a pretensão de reinventar nada, apenas empregar o carisma e o tom enérgico e bom astral, com músicas simples e acessíveis, sem fazer com que o ouvinte espere mais do que as canções possam entregar, e quem presenciou a banda ao vivo provavelmente não tenha reclamado das performances.

O clima de despojamento e descontração parecia incomodar alguns ouvintes mais receosos, como Nugent hoje bem se lembra de declarações como as de Zakk Wylde, decepcionado com ele enveredando por caminhos menos tradicionais. Ted Nugent que, apesar de veterano e não despertar dúvida de seu talento, ainda não tinha revelado seu lado mais despojado, e aqui ele se sai muito bem, improvisando muita coisa que tava pré estabelecida nas composições e incluindo, até os últimos minutos de gravação, mostrando que se adaptou bem ao som novo que estava imerso.
A banda não encontrou muita relutância em encontrar apoio, muito pelo contrário, com várias gravadoras disputando um contrato, culminando com um contrato com a Warner music, que depositou suas esperanças que o projeto vingasse e, num momento onde bastava ligar o rádio e esperar um hit daquelas bandas aparecerem, aqui o caso não foi diferente, em entrevistas posteriores, nem os próprios integrantes esperavam tamanho sucesso e aprovação. O álbum de estreia alcança 13ª posição das paradas dos EUA, conquista disco duplo de platina e o feito de cinco singles, graças, sobretudo, à balada comercial, como não podia deixar de ser. Ouçam no volume máximo!

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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