60 anos de Steve Vai – um mestre do virtuosismo

Steve Vai já construiu uma reputação que o antecede e que fala por si só. Dono de uma próspera e sólida carreira solo, o guitarrista, nascido em 6 de junho de 1960, já pode se dar por satisfeito ao prestar uma enorme contribuição pra música, não só instrumental – como é comumente associado – mas num aspecto mais abrangente. Tendo como principais influenciadores guitarristas como Jimi Hendrix e Jimmy Page, já com Heartbreaker como um dos pontapés iniciais que o fizeram começar a ter um contato mais intimo com o instrumento, teve aulas com Joe Satriani , que por sua vez também foi professor de Kirk Hammett. Possuindo uma técnica e estilo peculiares de tocar, às vezes soando como se tivesse dedos invisíveis alheios aos olhos do público, é possível, através dos inúmeros projetos a qual fez parte, notar as diferentes facetas do músico, independente do estilo e dos integrantes com quem dividia os palcos.

Desconsiderando-se as bandas covers, Steve iniciou sua carreira profissional na banda de Frank Zappa, após ficar fascinado pela obra do americano ao ponto de pessoalmente ligar pra ele e vender seu próprio peixe, até ser aceito. Passada essa fase, é cotado pra substituir ninguém menos que o virtuoso Yngwie Malmsteen na banda de Graham Bonnett, Alcatrazz, formada após sua conflitante saída do Rainbow, que já não estava em seus tempos áureos. Mas os dias de maior projeção na sua carreira viriam a seguir, quando o excêntrico David Lee Roth, ressentido com Eddie Van Halen, deixa a banda e decide montar um time pra chamar de seu. Num de seus maiores highlights, no disco “Eat Em and smile”, de 1986, Steve se distancia ainda mais do som que fazia ao lado de Zappa, embarcando no bom humor que sempre foi a cara David Lee Roth, com um clima de descontração já na primeira faixa, onde os vocais emulam uma conversa com a guitarra de Vai, na introdução. O disco inteiro é um belo cartão de visita pra Steve brilhar, desde momentos mais hard, como também espaço pro cover de Frank Sinatra pra “That’s life”, exemplo de tamanha versatilidade do álbum. Novamente substituindo outro nome de peso, era a vez de assumir as cordas do Whitesnake, em plena ascensão dois anos antes, com o maior sucesso comercial, o disco de 87. Ser o sucessor de John Sykes num disco de estúdio não deve ter sido fácil, mas Steve parece tirar de letra e em 1989 já estava totalmente imerso no hard rock característico daquele final de década, repleto de refrãos inspirados, uma cozinha poderosa e tudo que fez o hard rock ser o que era na virada da década, com forte apelo comercial.
 

Recebe o convite de Joe Satriani pra participar do G3, projeto periódico onde os guitarristas evidenciam suas técnicas apresentando composições próprias, impondo total domínio dos seus instrumentos frente ao público, onde pôde dividir os palcos com nomes como John Petrucci. Seja na bem sucedida carreira solo ou nos inúmeros projetos, Steve já provou que conseguiu superar o estigma de ser apenas um mero exibicionista e que, sim, o cara tem feeling.

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Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

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