IRA! à frente do Rock nacional

HABEMUS UM BELO DISCO!

  A banda paulista IRA!, após 13 anos, está de volta com um disco de inéditas. Um desafio para Edgard Scandurra e Nasi demonstrarem que todos os problemas que cercaram a banda na década passada estavam superados; e a demonstração não poderia ser melhor do que com o lançamento de IRA. Facilmente um dos melhores discos do ano até agora, logo na primeira audição já é notório a qualidade e o cuidado que tiveram com este novo trabalho.

Recheado de influências como The Who, The Jam/Paul Weller, Iggy Pop e Jimi Hendrix; sim, tudo isso batido e misturado com a essência agressiva da banda, mesmo que, em vários momentos do disco, há músicas acústicas e belíssimas. Um fator a se destacar no álbum é a pluralidade que ele apresenta; em 43 minutos de duração, será impossível dizer que soa repetitivo, pelo contrário, é quase uma vibe diferente em cada canção. Vai do Rock, passando pelo punk e pós punk, colocando os pés no Mod, até chegar na calmaria do Folk acústico.

Outro ponto alto do disco são as letras, muito bem escritas e que refletem vários pontos da nossa atual infame realidade, e que somadas à agressividade de músicas como ”Respostas” e ”Você me Toca” faz com que soem quase que como um protesto contra todas as atrocidades que ocorrem diariamente no Brasil. A cozinha composta por Evaristo Pádua e Johnny Boy merece muitos elogios; o que eles fazem nessas duas músicas é de se tirar o chapéu. Uma porrada na sua orelha, guitarra, baixo e bateria comendo solto, mostrando aos mais jovens como se faz um baita Rock and Roll.

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Seguindo a diversidade do disco, temos a linda balada folk ”Mulheres À Frente da Tropa”, que faz muito bem o contraponto entre as músicas mais pegadas para um clima mais suave; detalhe: com certeza muitas mulheres se identificarão com a música, que fala sobre a luta e a garra feminina que, cada vez mais, vêm ganhando espaço e perdendo o medo de encarar os preconceitos e limitações históricas que lhes foram impostas.

”Efeito Dominó” conta com a participação de Virginie, uma cantora franco-brasileira, que faz uma bela participação cantando, em francês, alguns versos e harmonizando a voz com Nasi; um dueto belíssimo, aquele famoso ”sexo com amor”, se é que me entendem… melodias lindíssimas, um belo solo de guitarra, tudo o que uma balada precisa ter para fazer você viajar sem sair do lugar.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o Ira!, todas elas serão imediatamente rechaçadas quando vocês colocarem este disco pra tocar; cai como uma luva nos dias de hoje, e faz muito bem a transição do ataque (protesto) com a calmaria (esperança). Um disco mais do que surpreendente, uma mensagem do tipo: ”ESTAMOS DE VOLTA!”. E com força total. Dias melhores virão, mas só se você sair da zona de conforto e ir à luta. Como diz uma das músicas: ”Respostas não cairão do céu”. Vão atrás delas e tirem suas conclusões.

A text by @lukaspiloto7twister

 

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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